• Sandra Carvalho

Glifosato, o agrotóxico que está até na cerveja

Cerveja, vinho, pão, aveia, cereal do café da manhã... Este é o veneno agrícola mais usado no mundo.


Plantação de trigo com glifosato em Derrubadas (RS) | Foto: cc 4.0 Walter H. P. Moschen/Wikimedia Commons

Traços do agrotóxico glifosato podem ser encontrados em alimentos triviais do dia-a-dia, da aveia da Quaker aos cereais da Kellogg's, passando por macarrão da Barilla, como mostraram testes da organização EWG.


Análises da Agência de Inspeção de Alimentos do Canadá indicaram que 37% de alimentos comuns consumidos no país têm traços de glifosato. A ONG U.S. PIRG encontrou esses traços em vinho e cerveja.


Qual é o problema? As suspeitas de que o glifosato seja um cancerígeno - algo que a

ciência ainda debate, sem conclusões definitivas. As ligações mais frequentes do agrotóxico são feitas com o linfoma de não-Hodgkin.


Quem deu o primeiro alerta, em 2015, foi Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela tachou o glifosato de "provavelmente cancerígeno" para humanos.


O glifosato é uma criação da empresa americana Monsanto nos anos 70, bolado para para matar ervas daninhas. Ele impede a fotossíntese das plantas: deixa o terreno livre para as monoculturas que resistem ao seu efeito devastador. Com ele, a Monsanto fez o herbicida mais vendido no planeta: o Roundup.


Problemas do Roundup


Hoje, o Roundup está nas mãos da companhia alemã Bayer, que comprou a Monsanto. Se é Bayer, é bom? O Roundup é uma máquina de fazer dinheiro, mas de dar problema também.


Doentes de câncer têm acionado a Bayer na Justiça, pedindo indenizações milionárias, atribuindo a doença ao Roundup. Recentemente, ganharam três processos na casa de centenas de milhões de dólares.


No maior deles, a Justiça americana mandou a Monsanto pagar 2 bilhões de dólares a um casal de idosos da Califórnia. Monsanto e Bayer afirmam que o Roundup não faz mal à saúde.


Não é só a Bayer que vende glifosato. Como a patente do agrotóxico expirou em 2.000, hoje em dia muitas empresas fabricam herbicidas com esse ingrediente ativo.


No Brasil, o glifosato é o campeão entre os venenos agrícolas. A pesquisadora Larissa Bombardi calculou que vendas de glifosato tenham chegado a 195 mil toneladas em 2014, cinco vezes mais que o segundo colocado, o 2,4-D.


O Brasil é bem mais permissivo com o agrotóxico que a União Européia. Segundo Larissa Bombardi, aqui o limite de traços de glifosato no café é dez vezes maior que na UE. Na soja, 200 vezes maior. Na água potável, 5 mil vezes maior.


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