• Sandra Carvalho

Há muitos animais vulneráveis ao coronavírus. Veja quais

Gorilas, chimpanzés e bonobos compartilham o mesmo risco dos humanos.


Gorila-ocidental-das-terras-baixas: ameaçado | Foto: cc 3.0 Jack Hynes/Wikimedia Commons

Quais animais estão ameaçados pelo vírus SARS-Cov-2? Várias espécies de primatas estão na linha de tiro, do orangotango-de-sumatra ao gorila-ocidental-das-terras-baixas, passando pelos chimpanzés e bonobos.


A Universidade da Califórnia em Davis (UCDavis) arregimentou um time internacional de cientistas para analisar o genoma de 410 espécies de vertebrados, incluindo mamíferos, répteis, anfíbios, pássaros e peixes, para checar a susceptibilidade deles ao novo coronavírus.


Eles compararam o principal receptor celular do vírus em humanos - o ACE2 - em todas essas 410 espécies. A proteína ACE2 está presente em várias células e tecidos. Nos humanos, seus 25 aminoácidos são vitais para o vírus abrir caminho nas células.


"Os animais com resíduos de todos os 25 aminoácidos da proteína humana sofrem risco alto de contrair o SARS-Cov-2 via ACE2", explicou Joana Damas, pesquisadora da UCDavis e primeira autora do estudo.


Entre os animais mais sujeitos a contrair a infecção via receptor ACE2 estão o gibão-de-bochechas-brancas-do-norte, o orangotango-de-sumatra e o gorila-ocidental-das-terras-baixas.


No grupo de risco alto, mas já num degrau abaixo, ficaram os hamsters-chineses, os tamanduás-gigantes, os veados-da-virgínia e os golfinhos-nariz-de-garrafa.


Alguns animais domésticos, como gatos, ovelhas e vacas, foram catalogados como de risco médio. Já cães, cavalos e porcos apresentaram risco baixo de contrair a infecção através do receptor ACE2.


Segundo a pesquisa, os animais mais vulneráveis ao novo coronavírus podem contrair a infecção dos humanos e precisam ser protegidos.


Das espécies consideradas vulneráveis ao novo coronavírus, 40% estão na Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN. O estudo foi publicado no jornal PNAS.


Os diferentes graus de vulnerabilidade dos animais | Infográfico: Matt Verdolivo/UCDavis

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