• Sandra Carvalho

Homo erectus no Quênia: um mistério revisitado

Uma equipe internacional de cientistas esmiuça um dos fósseis mais antigos da espécie.


Homo erectus
Homo erectus no Museu Americano de História História Natural | Diorama: D. Finnin/AMNH

Já faz 50 anos que cientistas descobriram uma evidência intrigante da existência do Homo erectus na região de Turkana Leste, no Quênia. Era um pequeno fragmento de cérebro, que eles dataram de 1,9 milhão de anos atrás.


A idade do fóssil foi recebida com alguma desconfiança por outros pesquisadores - mas agora uma nova geração de cientistas, liderada pela paleoantropóloga Ashley Hammond, do Museu Americano de História Natural (AMNH), confirmou a idade do fragmento.


Os pesquisadores investigaram os velhos relatórios e as pesquisas já publicados sobre o fóssil, e combinaram essas informações com dados de satélite e imagens aéreas da região.


O geocientista Dan Palcu, da USP e da Universidade de Utrecht, que coordenou o trabalho geológico da equipe, comparou as investigações às de um caso arquivado de um filme de detetive.


Com o levantamento, os pesquisadores não só confirmaram a idade de 1,9 milhão de anos do vestígio do Homo Erectus encontrado 50 anos atrás como encontraram restos de dois outros hominídeos a 50 metros do local.


Eles se depararam com uma parte de uma pélvis e um osso de pé. Ambos podem ser também do Homo erectus.


Fóssil de hominídeo
Parte da pélvis de hominídeo encontrada | Foto: Ashley Hammond/AMNH

"O Homo erectus é o primeiro hominídeo que conhecemos com um plano corporal parecido com o nosso, e parecia se encaminhar para se tornar mais parecido com humanos" comentou Hammond.


"Tinha membros superiores mais longos que os inferiores, um torso com uma forma mais parecida com a nossa, uma capacidade craniana maior que os hominídeos anteriores, e é associado com a fabricação de ferramentas", completou.


O fragmento de cérebro encontrado em 1974, com seus 1,9 milhão de anos, é um das evidências mais antigas do Homo erectus. Mais antigo que ele, só um cérebro datado de 2 milhões de anos atrás, encontrado na África do Sul.


O trabalho foi publicado na Nature Communications. Este vídeo mostra detalhes da pesquisa do AMNH sobre a evolução humana:



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#Hominídeos #Quênia