• Sandra Carvalho

Hong Kong já foi um paraíso de corais?

O que se sabe é que houve uma catastrófica perda de diversidade nas últimas décadas.


Hong Kong: hoje é bem mais fácil enxergar as luzes noturnas do que os corais | Foto: cc0 Farfar?unsplash

Cientistas de Hong Kong estão criando com fósseis uma máquina do tempo para explorar como eram corais da região no passado. Eles já descobriram que havia uma variedade grande de corais 5.000 anos atrás, e que ela foi minada por grandes perdas nas últimas décadas.


À medida em que os corais crescem naturalmente, algumas partes deles se quebram e caem no fundo do mar, se transformando numa parte do sedimento local. Com o tempo, diferentes camadas desse corais partidos se sobrebrepõem.


Foi estudando esses sedimentos com um especialista japonês em datação por radiocarbono da Universidade de Tóquio, Yusuke Yokoyama, que cientistas da Universidade de Hong Kong (HKU) conseguiram voltar no tempo 5.000 mil anos.


Comparando o passado com a situação presente, eles viram que houve um decréscimo de 40% no número de corais nas águas do sul de Hong Kong. Depois, eles viram que os corais do gênero Acropora, muito sensíveis e ecologicamente importantes, hoje se encontram numa área 50% menor.


Observando os sedimentos ao longo do tempo, eles perceberam que as maiores mudanças ocorreram do século passado em diante, principalmente nas últimas décadas.


Sua conclusão: a má qualidade da água, resultado do desenvolvimento crescente, e a falta de um tratamento adequado para ela são atualmente a maior ameaça à sobrevivência dos corais.


O estudo foi publicado no jornal Science Advances.


Coleta de sedimentos em Hong Kong | Foto: Kiho Kim/Universidade de Hong Kong

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