• Sandra Carvalho

Humanos gostam mais de arte feita por máquinas do que de pintores contemporâneos

Isso é mérito da inteligência artificial, demérito dos artistas atuais ou limitação do público?


Arte gerada em laboratório da Universidade Rutgers em Newark | Imagens: Universidade Rutgers/Ahmed Elgammal

Mais uma profissão na lista das que vão perder espaço para inteligência artificial: pintores.


Com aprendizado de máquina, os computadores já podem competir com os artistas até na criatividade.


Os trabalhos da imagem acima foram gerados no Laboratório de Inteligência Artificial e Arte da Universidade Rutgers em Newark, Nova Jersey.


Eles são uma amostra do que os computadores podem fazer quando são instruídos a criar novas formas e estilos, em vez de apenas emular o que já existe.


A experiência do laboratório com a produção de arte criativa - e sua aprovação por humanos - foi publicada num paper da Conferência da Criatividade Computacional, em junho.


O sistema desenvolvido se chama CAN- Creative Adversarial Network.


"Os resultados mostram que humanos não conseguem distinguir arte gerada pelo sistema da arte gerada por artistas contemporâneos e mostrados em eventos top de arte", afirma o paper.


Arte que menos agradou nos testes | Imagem: Rutgers University/Newark

O sistema criado pelos cientistas da Universidade Rutgers foi testado com 18 pessoas, misturado a 50 imagens de pintores expressionistas abstratos famosos, realizados entre 1945 e 2007, e trabalhos exibidos na Basel 2016, na Basileia, Suíça.


A ideia era comparar arte de computador com o que de mais avançado havia em arte feita por pintores de carne e osso.


Resultado: a arte gerada por máquinas em laboratório passou por arte feita por artistas reais em 75% do tempo.


As imagens dos pintores expressionistas abstratos foram consideradas obras humanas 85% do tempo.


E os trabalhos da badaladíssima Basel 2016 conseguiram ser enquadrados como humanos apenas 48% do tempo.


No teste, as pessoas também avaliaram se as obras julgadas tinham uma intenção e estrutura visual, e eram comunicativas e inspiradoras.


Sistema treinado com 81 mil imagens


A avaliação da arte gerada em laboratório foi superior tanto à dos pintores expressionistas abstratos quanto dos trabalhos da Basel 2016.


"Tínhamos a hipótese de que humanos colocariam artistas reais acima dos trabalhos gerados pelo sistema na escala de avaliação", comentou Ahmed Elgammal, professor de Ciência da Computação na Rutgers, da equipe do laboratório de inteligência artificial, em seu blog.

"Para nossa surpresa, a hipótese estava errada."


O sistema do Laboratório de Inteligência Artificial e Arte de Rutgers foi treinado com uma coleção de 81 mil imagens de 1190 pintores do século 15 ao 21, identificados por estilos, da base de dados do WikiArt.


Aprendendo história da arte, o sistema pode avaliar suas próprias criações e criar o que ainda não existe, se desviando dos estilos já existentes (mas sem exageros, para não afastar as pessoas).


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