• Sandra Carvalho

Humanos dormiam em camas de grama 200 mil anos atrás

As camas mais antigas do mundo foram encontradas numa caverna na África do Sul.


Border Cave: traços de plantas conduziram os cientistas | Foto: Ashley Kruger/ Universidade Wits

Humanos que viviam 200 mil anos atrás nas montanhas Lebombo, entre a África do Sul e eSwatini (ex-Suazilândia), já faziam camas para dormir confortavelmente.


As camas eram de grama Panicoideae, de folhas largas, assentadas sobre camadas de cinza, e cobertas com cânfora, uma planta medicinal.


Os vestígios das camas foram encontrados numa caverna sul-africana bem conhecida, a Border Cave, e documentados por um time internacional de arqueólogos liderado pela Universidade de Witwatersrand (Wits), de Joanesburgo.


Segundo os pesquisadores, a camada de cinzas era provavelmente usada para criar uma área limpa e para proteger as pessoas de insetos durante o sono.


Várias culturas usam cinzas como repelente de insetos, porque eles não conseguem se mover com facilidade no meio do pó fino. As cinzas bloqueiam a respiração e a capacidade de morder dos insetos.


De acordo com o estudo, a cânfora (Tarchonanthus) era provavelmente usada para afastar insetos. Ela ainda é usada para esse fim em áreas rurais do leste da África.


Vestígios de grama na caverna | Imagem: reprodução de vídeo da Universidade Wits

Se a datação feita pelos cientistas estiver correta, trata-se das camas mais antigas do mundo, bem no despontar da nossa espécie. O estudo foi publicado na Science.


Os fósseis encontrados sugerem que as camas não eram usadas só para dormir, mas também para trabalhar.


"Sabemos que as pessoas trabalhavam e dormiam sobre a superfície de grama porque detritos de fabricação de ferramentas de pedra estão misturados com os restos de grama", revelou a arqueóloga Lyn Wadley, principal autora do estudo.


A pesquisa também indica que as pessoas que ocupavam a caverna podiam acender fogo quando queriam para manter a área limpa e livre de pragas, e acendiam fogueiras regularmente.


Nessa época, os humanos eram caçadores e coletores, e raramente ficavam num lugar mais que algumas semanas. Mas, segundo os antropólogos, os acampamentos limpos poderiam estender esse período.


Visualmente, hoje as camas são apenas traços de grama silicificada. Como os cientistas fizeram para identificá-los? Ampliando-os através de magnificação e fazendo sua caracterização química.


A Border Cave cravada nas montanhas Lebombo em imagem feita com drone | Foto: Ashley Kruger/Universidade Wits

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