• Sandra Carvalho

Incêndios criam savanas no coração da Amazônia

Florestas queimadas repetidamente são substituídas por savanas de areia branca.


Floresta queimada na bacia do rio Negro
Destruição por incêndio florestal na bacia do rio Negro | Foto: Bernardo Monteiro Flores/Fapesp

Quarenta anos de imagens de satélite da Amazônia mostram um cenário alarmante: savanas de areia branca pipocam no centro da região, no lugar de florestas, depois de seguidos incêndios.


O problema foi apontado pelo ecologista Bernardo Monteiro Flores, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e por Milena Holmgren, professora de Ciências Ambientais da Universidade de Wageningen (WUR), nos Países Baixos.


Eles estudaram as paisagens de várzea do Rio Negro numa área 4.100 km2, da cidade histórica de Barcelos, a primeira capital do Amazonas, a 400 km de Manaus.


Os cientistas checaram as mudanças nas espécies de árvores, na cobertura herbácea e nas propriedades do solo superficial.


Constataram que quando as florestas são agredidas muitas vezes por incêndios florestais, seu solo perde nutrientes e argila e vai se tornando arenoso.


As espécies típicas da floresta vão então desaparecendo, a cobertura herbácea se expande e as espécies de savana de areia branca ocupam o espaço. As inundações anuais da região, erodindo o solo, aceleram esse processo.


O estudo foi publicado no jornal Ecosystems. A transição é apresentada com fotos na pesquisa.


Vegetação da Amazönia
Espécies da floresta, transição das árvores e espécies da savana | Fotos: Bernardo Monteiro Flores/Fapesp

As bordas da Floresta Amazônica sempre foram consideradas as partes mais ameaçadas do bioma, pelo avanço da fronteira agrícola. O estudo de Flores e Holmgren mostra que o coração da Amazônia também é bastante vulnerável.


"Está acontecendo um processo de savanização no coração da Amazônia, bem longe da fronteira agrícola", comentou Flores à agência Fapesp.


Savanas de areia branca são encontradas em toda a Amazônia, e cobrem uma área de 87.500 km2, mas são particularmente comuns na bacia do rio Negro.


Segundo os pesquisadores, em média, os solos das florestas queimadas levaram apenas quatro décadas para se parecerem com os das savanas de areia branca.


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