• Sandra Carvalho

Já pensou um réptil com pescoço de girafa? Existiu

O Tanystropheus viveu 242 milhões de anos atrás. Seu pescoço era metade do corpo.


Tanystropheus caçando em águas turvas | Ilustração: Emma Finley-Jacob

Entre os animais pré-históricos icônicos, o réptil Tanystropheus, com seu pescoço longuíssimo, tem seu lugar. Ele viveu 242 milhões de anos atrás, durante o Triássico Médio, quando os dinossauros começavam a surgir e reptéis gigantes aterrorizavam os oceanos.


Seus fósseis mais conhecidos são do Monte San Giorgio, na fronteira entre a Suíça e a Itália - um lugar tão especial por seus fósseis do período Triássico que virou patrimônio da humanidade.


No Monte San Giorgio foram encontrados dois tipos de fósseis do Tanystropheus - um pequeno, de pouco mais de 1 metro, e um grande, de 6 metros, supostamente de animais jovens e adultos da mesma espécie.


Um estudo da Universidade de Zurique (UZH) acaba de revelar que se trata, na verdade, de duas espécies.


A maior foi batizada agora de Tanystropheus hydroides, numa referência às hidras de pescoço longo da mitologia grega. A menor continuou com o nome já existente, Tanystropheus longobardicus.


Segundo a pesquisa, o Tanystropheus hydroides era um predador aquático que atacava suas presas furtivamente em águas turvas, escondido, já que não tinha corpo para ser um grande nadador.


Seu pescoço se estendia por 3 metros num corpo de seis metros de comprimento total, com apenas 13 vértebras, distantes umas das outras.


É algo semelhante ao que ocorre com as girafas, com apenas sete vértebras no pesçoco, da mesma forma que nós, humanos.


O Tanystropheus menor, o maior e um mergulhador de 1,70 metros para dar ideia da escala | Ilustração: Beat Scheffold/UZH

Usando microtomografia computadorizada de radiação síncroton (SRμCT) os cientistas remontaram digitalmente em 3D um crânio quase completo do Tanystropheus hydroides, partindo de um fóssil bastante esmagado.


Ele se mostrou bem diferente dos crânios da espécie menor, que já eram conhecidos, principalmente na dentição.


"O poder da tomografia computadorizada nos permite ver detalhes que de outra forma seriam impossíveis de observar em fósseis", afirmou o paleontólogo Stephan Spiekman, da UZT, o principal autor do estudo.


A pesquisa sugeriu que as duas espécies viviam na água, sem competir entre si, porque caçavam presas diferentes. Os pesquisadores imaginam que os Tanystropheus menores se alimentavam de pequenos animais como camarões, e os grandes, de peixes e lulas.


"Venho estudando Tanystropheus há mais de 30 anos, então é extremamente satisfatório ver essas criaturas desmistificadas", comentou Olivier Rieppel, paleontólogo do Field Museum, de Chicago, um dos autores do estudo sobre os fósseis.


A pesquisa foi publicada no jornal Current Biology.


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