• Sandra Carvalho

Estão fazendo machos alfa em laboratório

Ratos comuns já são transformados em vencedores em disputas com uso da optogenética.


Machos: sensíveis à optogenética | Foto: cc0 Pixabay

Luz no cérebro, ação e... machos alfa! A optogenética, que combina luz e bioengenharia, descobriu o interruptor neural chave para a dominação social. Já transformou ratos comuns em vencedores.


O estudo, de cientistas de Xangai, na China, foi publicado hoje na revista Science, da AAAS, a associação americana pelo avanço da ciência.


A pesquisa trabalha com o conceito de "efeito vencedor" no mundo animal, em que vitórias contra rivais contam pontos para a dominação social.


Ele fizeram experiências no córtex pré-frontal dorsomedial do cérebro de ratos, a área que regula a dominação social.


Nos testes, ratos machos enfrentaram num tubo outros machos. Tudo foi monitorado: quem empurrava primeiro, quem recuava, movimentos de resistência e retirada ou imobilidade.


Os cientistas constataram que os neurônios se tornavam mais ativos no córtex pré-frontal dorsomedial nas ações de empurrar e resistir, ou seja, nos comportamentos de dominação.


Inibindo esses neurônios com drogas, eles viram que os ratos se envolviam menos em disputas e davam empurrões mais curtos, reagindo menos. Ou seja, nada menos alfa.


Mais que agressividade


A seguir, fizeram o oposto: usaram a optogenética para estimular esses neurônios continuamente em disputas. A luz acionava o interruptor neural da dominação. Resultado: machos alfa.


90% dos confrontos foram vencidos pelos ratos estimulados dessa forma, segundo relato da AAAS.


Mais: os efeitos da dominação social persistiram no dia seguinte ao da disputa, sem qualquer estímulo.


"Não é a agressividade per se", comentou um dos cientistas, Hailan Hu, neurocientista da Universidade Zhejiang (ZJU) em Hangzhou, na China, ao Guardian. "Aumenta a perseverância, a motivação, a resolução."


Todos os ratos que tinham sido fotoestimulados mais de seis vezes mantiveram suas novas posições sociais entre os pares. Os que tinham sido fotoestimulados menos de cinco vezes voltaram ao seu lugar inferior na hierarquia.


Os resultados da pesquisa podem ajudar no entendimento de comportamentos patológicos, segundo seus autores.


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