• Sandra Carvalho

Jejum de dopamina: mais uma bobagem do Vale do Silício?

Evitar a dopamina, o neutrotransmissor do prazer, vai deixar o cérebro mais eficiente?



Nada de sexo, nada de álcool, nada de comida, nada de Facebook ou Twitter, e fique longe do celular! O jejum de dopamina pode afastar as pessoas de tudo o que elas mais gostam, e virou uma febre em San Francisco, Califórnia, a meca da tecnologia.


Como? Segundo os adeptos do jejum de dopamina, ela é uma substância viciante e, como outras substâncias viciantes, é preciso cada vez doses mais altas para dar a mesma satisfação.


Fazendo o jejum, o cérebro seria resetado, e o prazer voltaria às coisas mais simples, se liberando de comportamentos viciados e pouco saudáveis.


A dopamina é conhecida como o neurotransmissor do prazer no cérebro porque faz parte do sistema de recompensas (ela também é importante para outras coisas, como controle motor, motivação e memória).


O rosto mais identificado com o jejum de dopamina é o do psicólogo Cameron Sepah, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF).


Foi um artigo seu, escrito no LinkedIn em agosto, que colocou fogo na onda do jejum de dopamina.


Hoje, ele fica furioso porque comportamentos de adeptos extremistas da prática viraram sinônimo de jejum de dopamina.


Para Sepah, o jejum de dopamina é, essencialmente, uma técnica terapêutica comportamental para controlar comportamentos impulsivos, como excesso de horas gastas na internet ou com games.


Ele advoga que evitar esse tipo de comportamento (e não qualquer prazer) por um período por dia, por semana, por trimestre ou por ano seria positivo. O objetivo, diz Sepah, é se desligar dos comportamentos compulsivos, não da dopamina em si.


A história do jejum de dopamina não começou com Sepah. Em 2016, um usuário do site Reddit, Greg Kamphuis, lançou um um desafio de dopamina, convidando as pessoas a ficar 40 dias longe de TV, açúcar refinado, álcool, gorduras processadas, nicotina, drogas recreativas, cafeína e pornografia.


Enfim, um jejum de várias das tentações mais viciantes. A ideia, segundo Kamphuis, era ficar saudável e motivado, sacrificando "algumas semanas de prazer para uma vida de alegria".


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