• Sandra Carvalho

Katherine Johnson, matemática desbravadora da NASA (1918-2020)

Com seus cálculos, ela ajudou astronautas a subir ao espaço e a pisar na Lua.


Katherine Johnson: pioneira como matemática, mulher e negra | Foto: NASA

Katherine Johnson foi um dos "computadores humanos" da NASA nos tempos heróicos da agência espacial americana. Depois de uma vida anônima, ela morreu devidamente reconhecida, como a figura central do filme "Estrelas Além do Tempo".


Matemática brilhante, Katherine foi essencial no cálculo da trajetória que levou a nave espacial Apollo 11 ao espaço em 1969, na mítica missão em que o homem deu seus primeiros passos na Lua.


Ela já tinha sido imprescindível no primeiro voo em que um astronauta americano orbitou a Terra, em 1962. John Glenn, o astronauta, exigiu que ela checasse os cálculos de computador em sua calculadora mecânica, antes de subir ao espaço.


Katherine foi pioneira como matemática, como mulher num campo profissional dominado por homens e como negra numa época de segregação racial.


Sua lenda se tornou popular com o filme "Estrelas Além do Tempo", de 2016, mas um ano antes ela já tinha sido publicamente reconhecida pelo presidente Barack Obama com a Medalha da Liberdade, a mais importante dos Estados Unidos.


"Em seus 33 anos na NASA, Katherine quebrou barreiras de raça e gênero, mostrando a gerações de jovens que todos podem ser excelentes em Matemática e Ciência e alcançar as estrelas", disse Obama.


Katherine trabalhou inicialmente na NACA, a agência precursora da NASA, com um grupo segregado de mulheres negras super qualificadas que fazia cálculos matemáticos complexos para toda as áreas do órgão.


Ela nunca se deixou abater pelo racismo. "Eu não tenho sentimento de inferioridade. Nunca tive. Sou tão boa quanto qualquer um, mas não melhor", ela definiu, segundo o New York Times.


Katherine Johnson nasceu numa pequena cidade de Virgínia Ocidental, Sulphur Springs, filha de uma professora e um agricultor. Foi uma criança-prodígio, com um talento inato para matemática e paixão por álgebra e geometria.


Aos 10 anos, ela já estava no segundo grau. Aos 15, na faculdade. Aos 19, formada em Matemática e Francês. Aos 35, trabalhando na NACA. Ela foi logo recrutada para a divisão de pesquisa em voos, onde permaneceria durante 33 anos.


Katherine fez parte da força-tarefa para enviar o homem ao espaço, uma missão estratégica para os Estados Unidos no auge da guerra fria e da competição espacial com a União Soviética.


Ela morreu ontem, aos 101 anos, numa casa de repouso de Newport News, na Virgínia, a 15 minutos do centro de pesquisa Langley da NASA, onde trabalhou boa parte da vida.


Katherine Johnson no prédio da NASA que leva seu nome | Foto: NASA

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