• Sandra Carvalho

Lá vai outro prego no caixão do desinfetante triclosan

Cientistas suspeitam que o triclosan pode encorajar a resistência a antibióticos.


Muitos produtos de limpeza e higiene têm o triclosan: risco  |  Foto: cc0 Amanda Cullingford/Pixabay

Cientistas da Universidade de Birmingham e do Norwich Research Park associaram o desinfetante triclosan, usado nos mais banais produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica, a resistência a antibióticos.


Já banido em muitos produtos na Europa e nos Estados Unidos, o triclosan pode estar vivendo seus dias finais como desinfetante de uso geral. Hoje ele ainda é usado em sabonetes, cremes dentais, detergentes etc.


O estudo dos cientistas britânicos foi publicado esta semana no Journal of Antimicrobial Chemotherapy, do Reino Unido.


Aparentemente, o antibiótico quinolona, um dos mais tóxicos e poderosos que existem, leva as bactérias a pensar que estão sendo atacadas o tempo todo, induzindo-as a reagir contra outras ameaças, entre as quais o triclosan.


"A preocupação é que isso aconteça de forma reversa e a exposição ao triclosan encoraje o crescimento de cepas resistentes a antibióticos", disse Mark Webber, do Norwich Research Park e da Universidade de Birmingham, num comunicado da universidade.


"Descobrimos que isso pode acontecer com o E.coli. Na medida que esgotamos as drogas efetivas, entender como a resistência a antibióticos acontece é essencial para impedir a seleção de bactérias mais resistentes", ele afirmou.


2.100 sabonetes proibidos


Segundo a Universidade de Birmingham, na última década houve uma explosão no marketing dos produtos antimicrobianos destinados ao mercado doméstico.


No geral, segundo os cientistas, faltam provas de benefícios adicionais desses produtos na comparação com produtos tradicionais de limpeza e higiene como sabão, sabonete e água.


Em setembro do ano passado, a agência americana Food and Drug Adminstration (FDA), deu um golpe forte no triclosan, ao proibir, de uma única vez, 2.100 diferentes sabonetes antibacterianos. Motivo: usavam 19 substâncias que não tinham se provado seguras. Entre as 19 estava o triclosan.


Na semana passada, 200 cientistas do mundo todo assinaram a Declaração de Florença, um documento acadêmico contra o triclosan e o triclocarban.


Ambos são usados em cerca de 2.000 produtos. Além de presentes em sabonetes, cremes dentais e detergentes, são utilizados também em brinquedos, roupas, carpetes e tinta.


Segundo a Declaração de Florença, não há prova de que o triclosan ou o triclocarban melhorem a saúde das pessoas ou previnam doença.


Pior: segundo a declaração, eles persistem no meio ambiente e são uma fonte de componentes tóxicos e carcinogênicos.


No Brasil, a Anvisa não proíbe o uso do triclosan, embora limite sua quantidade em produtos de uso pessoal, com concentração máxima de 0,3%.


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