• Sandra Carvalho

Produzir lixo é com os Estados Unidos. Reciclar, nem tanto

Com seu hiperconsumo, os americanos geram 3 vezes mais lixo per capita que os chineses.


 Alameda Graffiti em Toronto, Canadá:  lixo demais    | Foto: cc0 DesignEcologist/Unplash

Imagine 822 mil piscinas olímpicas cheias de lixo, se estendendo por 41 mil quilômetros - é essa a quantidade de resíduos sólidos municipais que o mundo produz todo ano.

São 2,1 bilhões de toneladas desse tipo de lixo, e apenas 16% são reciclados. Pior: quase metade não recebe o tratamento sanitário necessário, e empesteia o meio ambiente.

O alerta foi feito hoje pela consultoria de risco inglesa Verisk Maplecroft, no Índice de Geração de Resíduos e Reciclagem de 2019.

A Verisk Maplecroft apontou o maior vilão dessa crise: os Estados Unidos. O país tem apenas 4% da população do mundo, mas cria 12% dos resíduos sólidos municipais.

Com seu hiperconsumo, os americanos geram três vezes mais lixo per capita do que a China, e 7 vezes mais que a Etiópia, o último colocado no ranking dos resíduos sólidos.

O Brasil aparece no ranking com uma participação de perto de 3% da população mundial e de quase 4% do lixo. É uma situação bem mais equilibrada que a de vários países ricos, que geram uma quantidade desproporcional de resíduos para o tamanho da população que têm.

Conforme a Verisk Maplecroft, o risco de excesso de lixo é maior, depois dos Estados Unidos, na Holanda, Canadá, Áustria, Alemanha, França e Austrália.

Os Estados Unidos ficam mal no ranking não só por produzir lixo demais, mas também por reciclar de menos. Seu índice de reciclagem é de apenas 35%, enquanto o da Alemanha, o melhor do mundo, chega a 68%.

O destino desse lixo todo está ficando cada vez mais dramático, porque vários países da Ásia que aceitavam ser o aterro sanitário do planeta agora se recusam a degradar seu meio ambiente para cumprir a missão. Entre eles, China, Tailândia, Vietnã e Malásia.

A Verisk Maplecroft não deixou passar em branco que em maio quase todos os países concordaram em restringir as exportações do lixo mais difícil de reciclar para os países em desenvolvimento. Adivinhe quem ficou fora do acordo: Estados Unidos.

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