• Sandra Carvalho

Máscaras: as melhores e as piores

As recomendações são de cientistas americanos da Universidade do Arizona.


Máscaras: até as echarpes são melhores que nada | Ilustração: cc Joshua Byler/ONU

A reputação das máscaras anda cada vez melhor na pandemia de Covid-19 - elas deixaram de ser uma idiossincrasia asiática para se tornar um símbolo do combate ao vírus no mundo inteiro. Mas nem todas as máscaras são iguais - quais delas funcionam melhor?


Um time de cientistas da Universidade do Arizona se dispôs a analisar tanto as máscaras tradicionais quanto as feitas de materiais não convencionais, produzidas para proteger as pessoas em ambientes muito contaminados.


Eles testaram exposições ao vírus SARS-CoV-2 durante 30 segundos e durante 20 minutos para ver o que era mais eficiente. O estudo, preprint, saiu no Journal of Hospital Infection.


A melhor opção, entre todas as máscaras, foi a N99, ainda melhor que a N95, a mais conhecida e desejada máscara atualmente. A N99 reduziu o risco entre 94 e 99%.


Mas essas máscaras top, observaram os cientistas, devem ser reservadas aos profissionais de saúde, que estão na linha de frente da luta contra a pandemia, mais expostos do que ninguém à doença.


Já estamos no sexto mês de Covid-19 e a escassez de máscaras mais eficazes ainda persiste no mercado global, porque as fábricas não conseguem acompanhar o ritmo do vírus, que já contaminou 12,3 milhões de pessoas e matou mais de 556 mil.


Depois da N99 nos ranking das máscaras mais eficientes, vieram a N95 e as máscaras cirúrgicas, como seria de esperar.


Mas essas opções também devem ser reservadas prioritariamente para os profissionais de saúde e para as pessoas que a Organização Mundial de Saúde, a OMS, considera mais vulneráveis: os idosos e as pessoas imunodeficientes, como diabéticos e cardíacos.


Filtros de aspirador de pó


Agora vem a surpresa dessa avaliação. Depois da N99, da N95 e das máscaras cirúrgicas aparecem... os filtros de aspiradores de pó! Segundo o estudo, os filtros dos aspiradores reduzem 83% do risco de infeção em exposições de 30 segundos e 58% do risco em exposições de 20 minutos.


Em seguida, aparecem máscaras feitas de pano de prato, de tecidos com algodão na composição e tecidos usados na fabricação de travesseiros antimicrobianos.


Os lenços e echarpes, que são a forma mais popular de improvisar alguma proteção, também foram avaliados. Eles reduzem o risco em 44% em exposições de 30 segundos e 24% em exposições de 20 minutos. São uma opção ligeiramente melhor do que não usar nada.


"Quanto mais densas as fibras de um material, melhor ele será em filtrar os vírus", observou Amanda Wilson, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade do Arizona e a principal autora do estudo sobre máscaras.


Mas não é só densidade que funciona, segundo o estudo. Algumas máscaras, como as feitas de seda, têm propriedades eletrostáticas, que atraem partículas menores e impedem que elas atravessem o tecido e contaminem a pessoa.


O estudo mostrou também que quanto mais tempo uma pessoa permanece num ambiente contaminado menos a máscara protege contra a Covid-19.


"Isso não significa trocar de máscara depois de 20 minutos", esclareceu Wilson. "Mas não fique num bar por quatro horas e pense que está livre de risco por estar usando uma máscara."


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