• Sandra Carvalho

Mais de 200 ONGs pedem o fim de mercados de animais selvagens

As organizações se movem contra os mercados acenando com a pandemia de coronavírus.


Pássaros em cativeiro no mercado de Malang, da Indonésia | Foto: Jan Schmidt-Burbach

Organizações como PETA, Sociedade Zoológica de Londres e World Animal Protection reivindicaram à Organização Mundial de Saúde, a OMS, o banimento global de todos os mercados de animais selvagens e do uso desses animais em medicina tradicional.


Tudo indica que a pandemia do novo coronavírus emergiu num mercado de peixes da cidade chinesa de Wuhan, onde se vendiam animais selvagens vivos como pangolins, cobras e gatos civet.


As ONGs se dirigiram à OMS com uma carta assinada por 241 organizações. Argumentaram que o comércio de animais selvagens coloca em risco a saúde humana e destacaram a necessidade de evitar que outras doenças infecciosas surjam no futuro da mesma forma como emergiu a pandemia do novo coronavírus.


Entre as doenças ligadas ao comércio animal, a carta cita a SARS, que atingiu 29 países e matou 774 pessoas entre 2002 e 2003, com origem atribuída também a mercados de animais selvagens da China.


As organizações mencionaram igualmente outras zoonoses associadas ao comércio de animais selvagens, entre as quais Ebola, MERS, HIV e leptospirose.


A carta afirma que o risco de transmissão de doenças zoonóticas aumenta nos mercados de animais selvagens por condições higiênicas precárias e a proximidade entre entre homens e animais, que criam condições ideais para os patógenos se espalharem.


As ONGs reconheceram que a medicina tradicional é um sistema respeitado em muitos países e culturas, com um papel a desempenhar na área da saúde, mas garantiram que o uso de animais selvagens precisa acabar.


Sugeriram que os ingredientes vindos de animais selvagens podem ser substituídos por outros, baseados em plantas ou minerais, a fim de evitar a transmissão de doenças.


Como exemplo do perigo existente no uso de animais selvagens em remédios, citaram os leões, que frequentemente têm tuberculose bovina, e representam uma ameaça tanto aos consumidores da medicina tradicional quanto às pessoas que trabalham nos criadouros de leões sul-africanos.


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