• Sandra Carvalho

Mais de um terço do mundo ainda dirige do lado esquerdo

A chamada "mão inglesa" do trânsito persiste sobretudo em ex-colônias britânicas.


Rua Princess, em Manchester: o Reino Unido comanda o lado esquerdo | Foto: cc0 Mangopear Creative/Unsplash

Volante do carro à esquerda, direção do trânsito pelo lado direito. É assim na maior parte dos países, mas 35% da população mundial vai na contramão, ops, pelo lado esquerdo. É assim em metrópoles como Londres, Tóquio, Delhi, Bangkok, Melbourne, Dublin...


Na maior parte dos 86 países e territórios que seguem pela esquerda, se trata de uma herança do império britânico. Mas vários países que nunca foram colônia britânica, como a Tailândia ou o Japão, ainda assim optam pelo lado esquerdo.


Muitos dos países mais populosos do mundo continuam andando pela esquerda: Índia, Indonésia, Paquistão, Bangladesh... Nós, brasileiros, temos dois vizinhos renitentes: Guiana e Suriname.


No passado, bem antes dos carros, o lado esquerdo era predominante nas ruas e estradas. Historiadores imaginam que se levava uma arma na mão direita e desviava-se pelo lado esquerdo para poder usá-la se necessário. Canhotos nunca foram maioria, certo?


Um dos primeiros países a adotar o lado direito de direção de tráfego foi a Rússia - isso já era lei no país desde meados século 18.


Na França, até a Revolução Francesa os aristocratas iam pelo lado esquerdo e o povão pela direita. Depois da revolução, os aristocratas acharam melhor aderir ao lado direito do que virar alvo óbvio da ira popular do lado esquerdo.


Napoleão impôs a opção do lado direito aos lugares que conquistou, como a Alemanha, Polônia, Países Baixos, Bélgica e partes da Espanha e Itália.


Trânsito engarrafado em Bangkok: indo pela esquerda | Foto: cc0 Robert Eklund/Unsplash

A Grã-Bretanha se firmou a voz mais poderosa e resistente voz pelo lado esquerdo já no século 19 e conseguiu arrastar países importantes, ex-colônias, nessa cruzada: Índia, Austrália, África do Sul, Cingapura... A Irlanda, invadida no passado pelos ingleses, e muitos países da África também ficaram com o lado esquerdo.


Os Estados Unidos, assim que conseguiram se livrar do jugo britânico, preferiram ir pelo lado direito. Boa parte do Canadá também.


Portugal, que tinha legado a direção pelo lado esquerdo para várias colônias, decidiu ele próprio dar uma guinada para direita nos anos 30 do século 20.


Muitos outros países que iam pelo lado esquerdo decidiram trocar de lado depois da 2ª Guerra Mundial. A conversão mais polêmica aconteceu na Suécia, onde um referendo popular votou contra a troca mas o parlamento decidiu a favor. A mudança aconteceu em 1968.


No Brasil, trafegar pelo lado direito virou lei nacional em 1928. Antes disso, vários estados optavam pelo lado esquerdo. Mas como as montadoras americanas sempre tiveram muita influência por aqui, a discussão não foi longe.


Quase a totalidade as mudanças são do lado esquerdo para o direito. Até agora, o contrário só aconteceu 3 vezes.


O último caso foi o do estado de Samoa, na Oceania, que adotou o lado esquerdo em 2009 para simplificar a importação de carros baratos dos países da região e do Japão.



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