• Sandra Carvalho

Mar profundo da Antártica esquenta mais rápido

Temperatura sobe mais no Mar de Weddell que em outros lugares.


Mar de Weddell: afetado pela mudança dos ventos e das correntes marítimas | Foto: cc Scott Ableman/Flickr

Abaixo dos 2.000 metros, o Mar de Weddell, na Antártica, esquenta mais rapidamente do que o resto do oceano. Nas últimas três décadas, cinco vezes mais rápido.


Oceanógrafos do Instituto Alfred Wegener, da Alemanha, constataram o aquecimento e tentaram explicar o fenômeno num estudo publicado o Journal of Climate.


Segundo os pesquisadores, a elevação da temperatura se deve à mudança dos ventos e das correntes marítimas do Oceano Antártico.


Esse oceano é particularmente importante, apesar de corresponder a apenas 15% da área total dos oceanos, por absorver muito do calor retido na atmosfera pelas emissões de gases de efeito estufa.


Para rastrear a temperatura do Mar de Weddell, os cientistas usaram sondas CTD, extraordinariamente precisas, a bordo navio quebra-gelo alemão Polarsten.


"Embora a água nos 700 metros superiores quase não tenha aquecido, nas regiões mais profundas vemos um aumento consistente de temperatura de 0,0021 a 0,0024 graus Celsius por ano", afirmou Volker Strass, oceanógrafo do Instituto Wegener e primeiro autor do estudo.


Esses números podem parecer pequenos, mas considerando os últimos 30 anos, representam que em profundidades de mais de 2.000 metros o Mar de Weddell absorveu cinco vezes mais calor que qualquer outro ponto do oceano.


Se o aquecimento continuar sem controle, vai afetar negativamente as enormes plataformas de gelo na costa sul do Mar de Weddell, a elevação do nível do mar e a circulação do Oceano Antártico a longo prazo.


Sonda CTD no Mar de Weddell | Foto: Thomas Steuer/Instituto Alfred Wegener

#OceanoAntártico #InstitutoAlfredWegener