• Sandra Carvalho

Mexeu com a ozonosfera, mexeu com câncer de pele

Estudo na Antártica mostra os danos dos raios ultravioleta quando a camada de ozônio afina.


Com a camada de ozônio mais fina, os raios ultravioleta fazem um bom estrago, na forma de lesões no DNA | Foto: cc0 Luis Graterol/Unsplash

A essa altura, até os marcianos sabem que um buraco na camada de ozônio expõe a pele a um risco maior de câncer. Mas nem é preciso que haja mesmo um buraco na camada de ozônio para os dados dos raios de sol acontecerem. Basta que essa camada afine.


É o que verificou uma equipe de cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que foi à Antártica no lugar em que o buraco da camada de ozônio acontece, para avaliar os dados causados no DNA pelo Sol.


É na Antártica que ocorre a maior variação na camada de ozônio no mundo.


A exposição à luz solar, sem a intermediação do ozônio para filtrar os raios ultravioleta, pode induzir a mutações associadas ao câncer. Segundo a pesquisa, quanto mais fina for a camada de ozônio, mais lesões ocorrerão no DNA.


A espessura da camada de ozônio muda ao longo do ano. Considera-se haver um buraco na camada quando ela fica abaixo de 200 UD (Unidades Dobson, correspondentes a 2 milímetros).


Os testes realizados pelos cientistas na Estação Antártica Comandante Ferraz da Antártica no fim de 2017 mostraram que ainda longe disso os danos no DNA acontecem.


Durante a pesquisa, a espessura da camada de ozônio variou de 360 a 270 UD, isto é, de 3,6 a 2,7 centímetros. "Nossos dados comprovaram que, quanto menor a espessura da camada, mais lesões são induzidas no DNA", afirmou Carlos Menck, que coordenou o estudo.


As medições foram realizadas com um dosímetro de lesões no DNA desenvolvido pela própria equipe de Menk e associadas aos dados da NASA relativos à espessura da camada de ozônio.


Os cientistas pretendem voltar à Antártica em outubro, quando o buraco na camada de ozônio atinge o ponto mais baixo, com espessura de apenas 100 UD.


O estudo foi publicado no jornal científico Photochemistry e Photobiology.


Buraco de ozônio na Antártica, registrado em 2006 | Imagem: cc NASA/NOAA

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