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Morte durante sexo não ocorre só com cinquentões

Além de homens de meia-idade, os mais jovens e as mulheres também são atingidos.


Casal na cama
Sexo: nos mais jovens, a principal causa de morte é a síndrome da morte súbita arrítmica | Foto: cc0 Womanizer Toys /Unsplash

O sexo tem muitos efeitos físicos e psicológicos benéficos, incluindo a redução da pressão alta, a melhora do sistema imunológico e a melhora do sono.


O ato físico do sexo e o orgasmo liberam o hormônio oxitocina, o chamado hormônio do amor, que é importante na construção da confiança e do vínculo entre as pessoas.


Mas há um lado sombrio: as pessoas às vezes morrem durante ou logo após o sexo. A incidência é, felizmente, extremamente baixa e representa 0,6% de todos os casos de morte súbita.


muitas razões pelas quais isso acontece com as pessoas. Na maioria dos casos, a morte é causada pelo esforço físico da atividade sexual, ou medicamentos prescritos (medicamentos para tratar a disfunção erétil, por exemplo), ou drogas ilícitas, como a cocaína – ou as duas coisas, esforço e drogas legais/ilegais.


O risco de qualquer morte súbita cardíaca é maior à medida que as pessoas envelhecem. Um estudo forense post mortem da Alemanha de 32.000 mortes súbitas durante um período de 33 anos descobriu que 0,2% dos casos ocorreram durante a atividade sexual.


A morte súbita ocorreu principalmente em homens (idade média de 59 anos) e a causa mais frequente foi um ataque cardíaco, também conhecido como infarto do miocárdio.


Estudos de morte súbita cardíaca e atividade sexual dos EUA , França e Coréia do Sul mostram achados semelhantes.


Não apenas os homens de meia-idade


Recentemente, no entanto, pesquisadores da faculdade de medicina St George's, da Universidade de Londres (#SGUL), descobriram que esse fenômeno não se limita apenas aos homens de meia-idade.


O estudo, publicado no JAMA Cardiology , investigou a morte súbita cardíaca em 6.847 casos encaminhados ao centro de patologia cardíaca da St George's entre janeiro de 1994 e agosto de 2020.


Desses, 17 (0,2%) ocorreram durante ou dentro de uma hora de atividade sexual. A média de idade do óbito foi de 38 anos e 35% dos casos ocorreram em mulheres, mais do que em estudos anteriores.


Essas mortes geralmente não foram causadas por ataques cardíacos, como visto em homens mais velhos.


Em metade dos casos (53%), o coração se mostrou estruturalmente normal e um ritmo cardíaco anormal súbito chamado síndrome da morte arrítmica súbita (ou Sads, em inglês) foi a causa da morte.


A dissecção aórtica foi a segunda maior causa (12%). A dissecção acontece quando as camadas na parede da grande artéria do coração que fornece sangue ao redor do corpo se rompem e o sangue flui entre as camadas, fazendo com que a aorta inche e estoure.


Os casos restantes foram devidos a anomalias estruturais, como cardiomiopatia (uma doença do músculo cardíaco que torna mais difícil para o coração bombear sangue para o resto do corpo), ou causados por um grupo raro de condições genéticas conhecidas como canalopatias.


As canalopatias ocorrem quando os canais iônicos que permitem que sódio e potássio entrem e saiam das células do músculo cardíaco não funcionam adequadamente.


A mudança de sódio e potássio nas células pode alterar a corrente elétrica no músculo cardíaco e mudar a maneira como ele bate.


Um ritmo cardíaco alterado pode causar falta de oxigênio (isquemia miocárdica ) e pode levar a uma parada cardíaca súbita, quando o coração para de bater.


Este novo estudo sugere que a morte súbita cardíaca em pessoas com menos de 50 anos se deve principalmente à síndrome da morte súbita arrítmica ou cardiomiopatias.


Adultos mais jovens que foram diagnosticados com essas condições devem procurar aconselhamento de seu cardiologista sobre o risco associado à atividade sexual.


No entanto, a baixa incidência de morte nesses estudos sugere que o risco é muito baixo – mesmo em pessoas com problemas cardíacos existentes. ✔︎


Este artigo, escrito por David Gaze, professor de Patologia Química da Universidade de Westminster (#UniversidadedeWestminster), foi publicado originalmente no site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o original em inglês.


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