• Sandra Carvalho

Mortes no trânsito? Para Filadélfia, já deu.

A cidade aderiu ao conceito sueco de Visão Zero - toda morte no trânsito é inaceitável.

Filadélfia: expansão das ciclovias protegidas e mudança das rotas com mais acidentes   | Foto: cc0 Pixabay

Em Filadélfia, a quinta maior metrópole americana, 100 pessoas morrem no trânsito por ano. Para a cidade, já deu. Philly começou este mês um esforço para reduzir as mortes a zero até 2.030.


Se você está pensando que a situação lá em Filadélfia, embora lamentável, é muito melhor que em São Paulo, acertou em cheio.


Em São Paulo, as mortes ligadas a acidentes de trânsito foram 9,5 vezes mais numerosas que as da Filadélfia em 2016: 950, pelos dados divulgados pela Folha de S. Paulo. E isso depois de uma queda de 15,1% no número de mortos em relação a 2015.


O que Filadélfia fez foi aderir ao conceito sueco Visão Zero - que considera toda e qualquer morte no trânsito inaceitável. Entre as cidades americanas, San Francisco e Washington já pularam dentro desse barco.


Atualmente, os números da Filadélfia são sofríveis para os padrões americanos: 6 mortes por cada 100 mil residentes relacionadas a acidentes de trânsito.


Pior que Nova York (2,87), San Francisco (4,39) Seattle (5,24) e Los Angeles (5,74), por exemplo.


Proteção nas ciclovias


Já está pronto um plano de ação de três anos da cidade que prevê a expansão das ciclovias protegidas, o redesenho de rotas com muitos acidentes, uso maior de câmeras que flagram quem desrespeita farol vermelho e ação da polícia contra o fechamento ilegal de calçadas e o bloqueio ilegal das pistas exclusivas de bikes.


A cidade vai identificar exatamente as vias onde as pessoas se acidentam mais, os comportamentos mais arriscados e investir para mudar esses pontos.


O plano prevê um papel grande para big data, combinando os dados das batidas de carros da polícia com os dos feridos e mortes dos hospitais.


Prevê também uma diminuição da velocidade dos carros, pois supõe que a probabilidade de morte num acidente aumenta substancialmente à medida que os carros andam mais rápido.


Já se sabe, de partida, que a maioria das vítimas do trânsito está nas áreas mais pobres da cidade.


Como até os marcianos descobriram, trânsito mata mais que tuberculose, doenças do coração, câncer do pulmão... Basta olhar as 10 maiores causas de morte no mundo e está lá: acidentes de trânsito em décimo lugar.


1,3 milhão de pessoas foram mortas no trânsito no mundo em 2015, segundo a OMS, principalmente homens e garotos (76%).


O conceito sueco de Visão Zero pressupõe que, sendo humanos, sempre cometeremos erros no trânsito. Pressupõe também que o sistema de tráfego pode ser ajustado para evitar os acidentes.