• Sandra Carvalho

Mulheres eram caçadoras nos Andes há 9.000 mil anos

A divisão de trabalho entre sexos nas Américas no passado não era o que se pensava.


Caçadora andina | Ilustração: Matthew Verdolivo/UC Davis/IET

Durante séculos, os historiadores imaginaram uma divisão de trabalho nos primeiros grupos humanos que habitaram as Américas: os homens caçavam os grandes animais e as mulheres coletavam o que poderia servir de alimento.


Mas uma sepultura de uma caçadora que viveu 9.000 anos atrás nas montanhas dos Andes na América do Sul revelou uma história diferente, mostrando uma divisão de trabalho diferente e mais equilibrada entre os sexos nos grupos humanos dos caçadores-coletores do passado.


"Essa descoberta arqueológica e a análise das primeiras práticas de sepultamento derrubam a hipótese do homem ser o único caçador", afirmou Randy Haas, professor de antropologia da Universidade da Califórnia em Davis e principal autor de um novo estudo sobre as mulheres caçadoras nas Américas.


A sepultura foi descoberta em 2018 num sítio chamado Wilamaya Patjxa no que é hoje o Peru. Ao se deparar com uma mulher caçadora, os cientistas decidiram averiguar se não existiriam outros casos semelhantes.


Eles observaram dados de 429 indivíduos em 107 locais diferentes, datados do final do Pleistoceno e início do Holoceno na América do Sul e do Norte. Encontraram 27 sepulturas com ferramentas de caça, 11 de mulheres e 15 de homens.


A amostra foi suficiente para eles considerarem que a participação feminina na caça de grandes animais nas Américas não era trivial. A análise estatística do estudo indica que entre 30% e 50% dos caçadores nessas populações eram mulheres.


Esse nível alto de participação feminina contrasta com os hábitos de caçadores-coletores mais recentes, que se seguiram a aquele período, e com o baixo nível de engajamento feminino na caça hoje.


O estudo foi publicado em Science Advances.


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