• Sandra Carvalho

Nômades antigos tinham rituais sangrentos na Sibéria

Cientistas recolheram evidências de cortes na garganta e escalpelamento na região.


Esqueletos de nômades das estepes que viveram 1.700 anos atrás | Foto: Projeto de Pesquisa Tunnug 1

Os nômades das estepes geladas da Sibéria sempre foram descritos como violentos, dados à guerra e aos saques. Um time internacional de cientistas encontrou evidências massivas desse passado brutal.


Provas da violência entre os séculos 2 e 4 d.C foram encontradas na república de Tuva, no sul siberiano, numa investigação da Universidade de Berna e da Academia Russa de Ciências (RAS). Naquela época, a região passava por um período de instabilidade política.


Escavações recentes no sítio Tunnug 1 encontraram um cemitério periférico com restos mortais de 87 pessoas dos primeiros séculos d.C. Vários mostravam traços de violência, não só típicos de guerra, mas também de rituais.


Os traumas nos esqueletos foram dissecados pelos pesquisadores. Eles indicaram que 25% das pessoas morreram de causas violentas, principalmente de combate corpo a corpo. Há muitos vestígios de decapitação.


A violência afetava sobretudo os homens, mas também mulheres e crianças. Alguns dos esqueletos têm traços de cortes na garganta e escalpelamento.


"Isso sugere que a violência não estava relacionada apenas a incursões e batalhas, mas provavelmente devido também a rituais específicos e ainda misteriosos, envolvendo a matança de humanos e a coleta de troféus de guerra", comentou o antropólogo Marco Milella, da Universidade de Berna, o primeiro autor do estudo.


A pesquisa foi publicada no American Journal of Physical Anthropology.


Lesão causada por flecha em mandíbula de criança de oito anos | Foto: Marco Milella/Universidade de Berna

Veja mais: Nem todo viking era um lourão escandinavo


#Sibéria #Antropologia #Nômades #RAS #UniversidadedeBerna