• Sandra Carvalho

Não coma mais de 1 bife por dia (é um plano para salvar os antibióticos)

A idéia é diminuir antibióticos na criação de animais e reduzir o consumo global de carne.


Vacas: os pecuaristas exageram nos antibióticos | Foto: Annie Spratt/Unsplash

Já pensou um mundo pós-antibióticos, dominado por bactérias resistentes a remédios, onde as pessoas morrem das infecções mais simples?


Para um grupo de cientistas americanos e europeus, este mundo vai chegar se continuarmos abusando dos antibióticos.


Um grupo de pesquisadores das universidades de Princeton, nos Estados Unidos, ETH Zurique, na Suíça, Universidade Livre de Bruxelas (UBL), na Bélgica, e da FAO, órgão da ONU, na Itália, se uniram à organização CCDEP, focada em doenças, para traçar um plano a fim de salvar os antibióticos.


Em resumo, o plano consiste em forçar diminuição do uso dos antibióticos na criação de animais e reduzir o consumo global de carne.


Segundo o estudo feito por esses cientistas, o uso excessivo de antibióticos em animais está levando a uma crise mundial de resistência de antibióticos. A pesquisa foi publicada no jornal Science e divulgada pela empresa de relações públicas Burness.


"Essa escala atual de antibiótioticos, primariamente como substituto de boa nutrição e de higiene na criação de gado, é simplesmente insustentável", comentou Ramanan Laxminarayan, diretor do CCDEP.


"Continuar a usar antibióticos importantes para promover o crescimento de animais é como jogar gasolina no fogo", complementou.


O uso global de antibióticos em animais é quase três vezes maior do que o consumo humano, de acordo com a pesquisa.


Se nada mudar, esse uso em animais ainda vai aumentar 53% até 2030, considerando 2013 como o ano de comparação.


Dose diária de um hambúrguer


Para brecar a tendência, o plano bolado pelos cientistas sugere:


1) regulamentação do uso de antibióticos em fazendas de animais, que poderia reduzir 64% da utilização.

2) limite do consumo de carne ao equivalente a um hambúrguer de fast-food por dia por pessoa, o que poderia resultar numa queda de 66% do uso de antibióticos nos animais.

3) imposição de uma taxa de 50% no preço dos antibióticos veterinários, que poderia reduzir a sua utilização em 31%.


"Temos de fazer uma escolha crítica, se quisermos ter antibióticos que funcionem", disse Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo.


"Ou restringimos nosso consumo de carne a uma porção diária recomendada ou adotamos globalmente práticas avançadas de criação de gado que reduzem o consumo de antibióticos."


De acordo com o estudo, 131 mil toneladas de antibióticos são usadas por ano em animais, tendo por base o consumo de 2013.


Pelas últimas estatísticas, a China é de longe o país que mais abusa: foram 78 mil toneladas de antibióticos em 2013. Em distantes segundo e terceiro lugares, estão os Estados Unidos (9 mil toneladas) e o Brasil (6 mil).


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