• Sandra Carvalho

Narval, o unicórnio do mar, se estressa demais perto dos homens

Ele vivia isolado no Oceano Ártico, mas a presença humana por lá está aumentando.


Narval: pressionado pela aproximação humana | Foto: Terrie M. Williams/Universidade da Califórnia em Santa Cruz

O narval é uma criatura do Ártico pouco conhecida - ele vive isolado, protegido pelo gelo. Cetáceo com jeitão de unicórnio - tem o maior canino do mundo animal - vive dando mergulhos profundos.


Mas agora o isolamento já não é tão cerrado, e o narval tem dado sinais de um estresse

radical.


O clima não tem ajudado muito - com o aquecimento global, o gelo ártico está derretendo. A corrida ao petróleo da região também mina seu isolamento, ao levar embarcações e trabalhadores para o seu território.


Cientistas da Universidade da Califórnia (UC) em Santa Cruz resolveram medir o impacto do contato do narval (Monodon monoceros) com a atividade humana, e o que descobriram é chocante.


Eles colocaram monitores cardíacos em narvais aprisionados em redes de caçadores nativos na costa leste da Groelândia e depois soltos de volta ao oceano.


Notaram que os batimentos cardíacos dos animais caem a apenas três ou quatro por minuto quando eles são libertados e, paradoxalmente, dão o máximo de si para nadar para longe dos humanos, em mergulhos profundos.


Foto: Mads Peter Heide-Jorgensen/Universidade da Califórnia em Santa Cruz

"Tenho que me perguntar como os narvais protegem seus cérebros e mantêm a oxigenação nessa situação", comentou Terrie Williams, professora de ecologia e biologia evolutiva na UC em Santa Cruz, num comunicado da universidade.


O estudo de Terrie e sua equipe foi publicado no dia 8 deste mês no jornal Science. A pesquisa mostra que os narvais dão respostas cardiovasculares opostas simultaneamente, colocando o sistema cardiovascular sob estresse extremo.


O batimento cardíaco em repouso de um narval é de 60 batidas por minuto. Num mergulho normal, cai para 10 ou 20 batidas por minuto, aumentando à medida que o nível de movimento aumenta.


Para baixar a somente três ou quatro por minuto no momento de escapar da proximidade de humanos, o trauma precisa ser violento.


Por terem sobrevivido em isolamento relativo até recentemente, os narvais são cetáceos que não aprenderam a se defender das perturbações causadas pelos humanos. São, assim, extremamente sensíveis a qualquer distúrbio.


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