• Sandra Carvalho

Nem todo viking era um lourão escandinavo

DNA mostra que muita gente das regiões dominadas pelos vikings adotava sua identidade.


Reconstrução artística dos vikings do sul da Europa | Ilustração: Jim Lyngvild/ St. John's College

Vikings eram piratas brutais que saíam de navio da Escandinávia para pilhar a Europa e outras regiões do mundo, certo? Bem, esse é o estereótipo. Uma pesquisa de DNA de um time internacional de 90 cientistas acaba de abalar essa imagem.


Os pesquisadores sequenciaram o DNA de mais de 442 esqueletos de vikings na Escandinávia, Reino Unido, Ucrânia, Polônia, Rússia e Groenlândia, e sepultaram alguns mitos.


Em primeiro lugar, viram que nem todo viking era o escandinavo louro de olhos azuis imaginado. Habitantes das outras regiões dominadas por eles assumiam a identidade viking - muitos tinham cabelos castanhos.


O estudo mostrou que a própria história genética da Escandinávia foi influenciada por genes de fora, Ásia e do Sul da Europa, antes mesmo da era dos vikings, de 750 DC a 1050.


A pesquisa foi liderada pelo professor Eske Willerslev, das universidades de Cambridge e Copenhague (UCPH), e publicada na Nature.


E o que a pesquisa diz da imagem de invasores brutais dos vikings? O estudo afirma que muitas expedições vikings envolveram ataques a instalações religiosas e cidades na costa da Europa, mas sugere que eles tinham frequentemente um objetivo mais pragmático: comercializar bens como peles, presas e gordura de foca.


Sepultura de 50 vikings sem cabeça em Dorset, Reino Unido | Foto: Conselho do Condado de Dorset/Arqueologia de Oxford

A palavra viking vem do escandinavo "vikingr", que significa pirata. Não existia uma palavra para designar a Escandinávia durante a era viking. A pesquisa aponta que os vikings da Noruega atual viajaram para Irlanda, Escócia, Islândia e Groenlândia. Os da Dinamarca atual foram para a Inglaterra. E os do que é hoje a Suécia rumaram para os países bálticos.


"As diásporas escandinavas estabeleceram comércio e colonização que se estendem do continente americano à estepe asiática", observou Søren Sindbæk, arqueólogo do Museu Moesgaard, da Dinamarca, um dos autores do estudo. "Eles exportaram ideias, tecnologias, linguagem, crenças e práticas e desenvolveram novas estruturas sociopolíticas."


O poder dos vikings na Europa foi grande o suficiente para Cnut, o grande, tornar-se rei da Inglaterra. Leif Eriksson é tido por vários especialistas como o primeiro europeu a chegar à América do Norte, 500 anos antes de Cristóvão Colombo. E Olaf Tryggvason é considerado o introdutor do cristianismo na Noruega.


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