• Sandra Carvalho

Neofobia, o medo das coisas novas

A neofobia mais conhecida é a alimentar. Alvos mais frequentes: frutas e verduras.


Crianças: vítimas comuns da neofobia | Foto: cc0 Ambermb/Pixabay

A neofobia, a aversão a coisas novas, é muito mais comum do que se pensa. Pega desde crianças com 16 meses de idade com pavor de brócolis até os adultos que abominam qualquer inovação.


A origem da palavra é quase óbvia: neo (novo) + fobia (medo doentio) = neofobia. A aversão ao desconhecido mais estudada é a neofobia alimentar, muito comum em crianças entre dois e cinco anos de idade e encontrada também em adultos.


Esse tipo de neofobia acontece quando há uma recusa sistemática de experimentar alimentos que não são familiares. Frutas e verduras costumam ser mais rejeitados.


Com frequência, as aversões levam a dietas pouco nutritivas, e podem até aumentar o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.


Um estudo da Universidade do País Basco (EHU) sobre hábitos alimentares de crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos mostrou que os neofóbicos são mais ansiosos e têm menos autoestima.


Em adultos, a neofobia alimentar pode criar constrangimentos sociais nos casos de pessoas que seguem uma dieta extremamente restritiva, seja num almoço de negócios, numa ceia de Natal ou num jantar íntimo entre amigos.


A psiquiatra Angela Guarda, do Programa de Distúrbios Alimentares Johns Hopkins, afirma que a maioria dos neófobos adultos foi uma criança com neofobia.


Segundo ela, eles são incapazes de superar os hábitos alimentares da infância e continuam subsistindo frequentemente à base de batata frita, nuggets e pizza, uma dieta com gordura, sódio e açúcar demais.


Um famoso neófobo alimentar é o investidor americano Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo. Ele bebe Coca-Cola compulsivamente, e come basicamente hambúrgueres, sorvetes e biscoitos - tudo o que uma criança de seis anos adora.


As causas da neofobia alimentar ainda são incertas. Uma suspeita é que se deva a uma sensibilidade extrema em relação a textura e aroma dos alimentos. Essa sensibilidade também costuma ser associada a autismo e distúrbio obsessivo-compulsivo.


Uma possibilidade é que a neofobia alimentar se origine nos genes na maioria dos casos, como mostrou um estudo da University College de Londres (UCL).


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