• Sandra Carvalho

Nova vida para a reserva Chocoaré-Mato Grosso?

A reserva foi adotada pela Geoflorestas, uma consultoria ambiental de São Paulo.


Chocoaré-Mato Grosso
Chocoaré-Mato Grosso: manguezal imponente | Foto: ICMBio

A reserva extrativista Chocoaré-Mato Grosso é uma área de conservação de quase 2.800 hectares em Santarém Novo, no Pará, protegida há quase 20 anos, sob os cuidados do Instituto Chico Mendes, o ICMBio.


Em fevereiro, o governo Bolsonaro colocou a reserva para adoção por pessoas ou por empresas, dentro do programa Adote um Parque, junto com outras 131 unidades de conservação da Amazônia Legal.


O objetivo do programa, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, é garantir a preservação das áreas sem que o governo tenha que gastar com isso. Exige-se um investimento mínimo anual de 50 reais por hectare em preservação.


Como o ministro Ricardo Salles tem credibilidade zero em proteção ambiental, o programa é naturalmente visto com desconfiança. A conferir se vai emplacar.


A reserva Chocoaré-Mato Grosso é uma das primeiras áreas oferecidas para adoção a despertar o interesse de empresas.


Sem garimpo, com pouquíssimos focos de queimada e bom potencial turístico, é muito rica em espécies típicas de manguezal, como siriúbas, mangueiros, tinteiras e cipós.


A consultoria de geoprocessamento e de questões ambientais Geoflorestas já assinou um protocolo de adoção, comprometendo-se a investir 140 mil reais na reserva e a disponibilizar seus próprios serviços.


Na área, a população sobrevive com práticas extrativistas tradicionais, agricultura de subsistência e a criação de pequenos animais. A pesca no Rio Maracanã, para consumo e para venda na região, é um recurso importante na vida local.


A razão de ser da reserva é preservar os meios de vida e a cultura da população do lugar e garantir o uso sustentável dos recursos naturais - e é exatamente isso que a Geofloresta promete fazer, supervisionada pelo ICMBio. Tomara que dê certo, apesar do ministro.


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