• Sandra Carvalho

O abc do coronavírus

O que já se sabe do vírus que está assustando o mundo.


Temor de coronavírus: aeroporto de Changchun Longjia, na China | Foto: cc0 Boyu Zhang/Wikimedia Commons

O coronavírus de Wuhan ainda é pouco conhecido, apesar de já ter infectado pelo menos 5974 pessoas na China e matado 132, segundo os dados oficiais da agência Xinhua. A epidemia já alcançou outros 17 países.


A família do vírus, que tem diferentes espécies, foi mapeada há tempos. O coronavírus em geral tem forma esférica, semelhante a de uma coroa com espinhos, como a corona solar. Daí, seu nome.


Ele se espalha principalmente pelo ar. Pode causar tanto uma gripe sem consequência quanto uma pneumonia fatal. Os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade de respirar.


O coronavírus circula normalmente entre animais, particularmente camelos, morcegos e gatos. Algumas poucas espécies podem migrar para os humanos, com efeitos potencialmente dramáticos.


Em 2002 e 2003, o coronavírus causou uma epidemia de SARS (síndrome respiratória aguda grave), em Guangdong, no sul da China, que matou quase 800 pessoas.


Nessa epidemia, considera-se que o coronavírus passou de morcegos para gatos civet e deles para os humanos. A taxa de mortalidade da SARS foi de 10%.


Em 2012, a MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio) surgiu na Arábia Saudita e se espalhou para vários outros países. Originada em camelos, de lá para cá infectou pelo menos 2494 pessoas e matou 858. Sua taxa de mortalidade é 35%.


Vários pesquisadores chineses que estudaram o DNA do vírus de Wuhan acham que a migração de animais para humanos se deu através de cobras. Depois, o vírus passou a se transmitir de pessoa para pessoa. Sua taxa de mortalidade é relativamente baixa, não chegando a 3%.


Veja mais: 11 coisas que a china já fez para deter o coronavírus de Wuhan


O coronavírus de Wuhan nunca tinha sido identificado antes. Ele emergiu num mercado de peixes da cidade, agora fechado, onde animais selvagens vivos são tradicionalmente vendidos como alimento.


O novo coronavírus é chamado de 2019-nCoV pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Como é um vírus recente, ainda não há vacina contra ele, mas cientistas chineses estão correndo contra o tempo para desenvolvê-la.


O genoma do coronavírus de Wuhan foi sequenciado por vários grupos diferentes de cientistas. Sabe-se agora que ele tem um diâmetro que vai de 60 a 40 nanômetros, e muita semelhança com o vírus que causou a epidemia de SARS.


Como Wuhan é uma cidade de 11 milhões de habitantes, o potencial de uma epidemia monstro é enorme - sem contar o tráfego constante entre Wuhan e outras cidades da China e do mundo, antes que o governo chinês isolasse a região.


No caso de SARS e MERS, a contaminação se deu principalmente por meio de gotículas das tosses e dos espirros das pessoas contaminadas, como acontece com as gripes. Com o coronavirus de Wuhan as infecções se espalham tanto pelas gotículas quanto por toque.


Boa parte da população da China tem usado máscaras de proteção, mesmo em cidades fora da China continental, como Hong Kong e Taipei.


A grande maioria das vítimas fatais, por enquanto, é de pessoas idosas, que já tinham outros problemas de saúde, como diabetes, Parkinson, hipertensão e cirrose.


O governo chinês comunicou oficialmente o problema à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 31 de dezembro. Tratava-se, então, de um surto de pneumonia de causa não identificada. Mais alguns dias se passaram para o novo coronavírus virar o vilão do surto.


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