• Sandra Carvalho

O agrotóxico clorpirifós agoniza (pelo menos nos países ricos)

O pesticida é acusado de prejudicar o desenvolvimento de bebês e o QI das crianças.


Aplicação de agrotóxico | Foto: cc0 Pixabay

Curuquerê, ácaro-branco, lagarta-rosca, cochonilha-da-roseta, pulgão-da-folha, cigarrinha, broca-da-vagem, mosca-branca, lagarta-enroladeira - o pesticida organofosforado clorpirifós mata todos esses insetos e muitos mais. Não à toa se tornou popular nas plantações.


Ele mata os insetos causando um colapso nervoso em seu organismo. É aplicado às mais variadas culturas, do café ao milho, do tomate à maçã, do feijão à batata, desde que foi criado pela Dow, em 1965.


O problema é que, sendo implacável com os insetos, o clorpirifós acaba afetando a saúde humana e o meio ambiente. É conhecido como um neurotóxico, suspeito de provocar o nascimento de bebês abaixo do peso e jogar para baixo o QI das crianças.


Foi tanta acusação que a Dow desistiu de aprovar o clorpirifós para uso doméstico nos Estados Unidos já em 2001. Na semana passada, mais um golpe sério no clorpirifós: sua maior fabricante, a Corteva, avisou que só vai produzir o inseticida até o final do ano.


Veja mais: Glifosato, o agrotóxico que está até na cerveja


A Corteva, uma empresa de 22 bilhões de dólares, é um spin-off da Dow e da Dupont. Vende o clorpirifós com o nome comercial de Lorsban.


A Corteva ainda diz que o clorpirifós não faz mal para a saúde, todas as precauções tomadas, e que desistiu do produto porque a demanda caiu muito nos últimos anos.


Nos Estados Unidos, as vendas do clorpirifós se reduziram a um quinto do que eram nos anos 90, de acordo com a Corteva.


Não deve ter ajudado muito um estudo da Universidade Colúmbia de 2012 que ligou a exposição ao clorpirifós no útero a anormalidades no cérebro.


De acordo com o estudo, a exposição dos fetos ao agrotóxico está associada a déficits neurocomportamentais em humanos e animais, inclusive afetando o QI de crianças.


Mas o abandono do clorpirifós pela Corteva não quer dizer que ele vá sair completamente de circulação. Há vários genéricos para abastecer o mercado.


No Brasil, o clorpirifós faz parte dos 7 ingredientes ativos de agrotóxicos que a Anvisa está revisando. O aspecto que preocupa, segundo a agência, é a neurotoxicidade.


Na Europa, o clorpirifós já é banido na Alemanha e outros seis países, mas ainda é bastante usado em plantações de frutas do sul do continente. Em dezembro passado, a União Europeia antecipou que o agrotóxico será proibido em futuro próximo.


#Agricultura #Agrotóxicos #Anvisa #Cérebro #Clorpirifós #Colúmbia #Corteva #Dow #Inseticidas #Insetos