• Sandra Carvalho

O bom, o ruim e o complicado de Evan Spiegel, da Snap

Spiegel virou bilionário antes dos 25 anos na Califórnia, onde nasceu e sempre viveu.


Spiegel: busca pelo que é diferente do padrão | Foto: cc Tech Crunch

Evan Spiegel, 26 anos, o CEO da Snap, é o mais sério candidato a ser o novo Steve Jobs do Vale do Silício.


Controlador. Obcecado por privacidade. Louco por design. Incrivelmente bem-sucedido. Nesses traços Evan Spiegel emula Steve Jobs.


E, se alguém duvida, basta olhar para a parede de seu escritório de Venice Beach, na Califórnia, onde está pendurado um retrato de Jobs.


No trabalho, Spiegel mostra obsessão por criar produtos realmente originais, nada semelhantes ao que já existe por aí.


Essa busca pelo que é diferente do padrão (mensagens que desaparecem, vídeos verticais, óculos que fazem vídeos de maneira fácil e divertida) só tem dado bons resultados.


Com a Snap avaliada em até mais de 25 bilhões de dólares, quem pode dizer o contrário?

Com 158 milhões de pessoas, a maioria bem jovem, plugadas todos os dias no Snapchat?


"Evan tem muitas ideias interessantes e é absolutamente destemido ao colocá-las em prática. Se não funcionam, deixa para lá", disse ao Recode Mich Lasky, do fundo de investimentos Benchmark, um dos primeiros a colocar dinheiro no Snapchat.


Spiegel virou bilionário extraordinariamente cedo, antes dos 25 anos. Hoje a Forbes calcula que sua fortuna seja de 4 bilhões de dólares.


Ele chegou aonde está por seus próprios méritos, mas viveu uma vida cheia de privilégios desde o berço.


Entre mansões de Los Angeles


Filho de advogados bem-sucedidos e ricos, cresceu em Pacific Palisades, bairro de mansões espetaculares em Los Angeles, à beira do mar.


Estudou sempre em escolas de elite, indo para Stanford fazer design de produtos.


Por e-mails dessa época que vazaram e foram publicados originalmente pelo blog de fofocas Valleywag, sabe-se que ele não era nada comportado ou politicamente correto nas festas da faculdade.


Os e-mails eram machistas e escritos em linguagem tosca. Spiegel se desculpou por eles ao Business Insider, dizendo que foi um "idiota" ao escrever aquelas mensagens.


Hoje aparentemente mais maduro, Spiegel leva uma vida à parte. Dirige uma Ferrari, se diverte voando de helicóptero (é piloto licenciado) e praticando snowboard. Gasta mais de 900 mil dólares por ano só com sua segurança pessoal.


O interesse por carrões vem de longe. Quando seus pais se divorciaram, ele ficou morando com o pai, em Palisades. Mas quando ele se negou a lhe dar um BMW de presente, ele mudou para a casa da mãe. Que entregou o BMW, com um leasing de 75 mil dólares.


Foi na casa do pai em Palisades, aliás, que Spiegel tocou as coisas da Snap por um certo tempo, morando lá junto com Bobby Murphy, outro dos fundadores oficiais da empresa e hoje seu vice-presidente de tecnologia , e ainda com Reggie Brown, o amigo do peito que virou desafeto e foi afastado do negócio.


Dormitórios de Stanford


Como se sabe, o embrião da Snap começou a nascer nos dormitórios de Stanford, onde os três estudaram.


A ideia inicial era criar um aplicativo de sexting, que deletaria automaticamente as fotos, sem criar embaraços futuros, segundo a versão de Reggie Brown relatada em minúcias pelo Business Insider.


Spiegel é noivo de da modelo Miranda Kerr, 33 anos, que de tempos em tempos fala dele em seu perfil no Instagram.


Os dois se conheceram num jantar para Louis Vuitton, um sinal de seu interesse por moda. Ele inclusive posou para um ensaio fotográfico da revista Vogue da Itália.


Muito reticente em relação a jornalistas, ele abriu suas preferências de consumo para a revista GQ americana. Entre elas, o protetor labial Original Chapstick, jeans pretos Patrik Ervell , camisetas brancas James Perse e tênis brancos Common Projects.


Spiegel nunca se formou, ao contrário do que as aparências indicaram alguns anos atrás.

Em junho de 2012, Spiegel subiu ao palco para receber o diploma de graduação de Stanford junto com sua turma, mesmo devendo alguns créditos.


A pasta que ele recebeu estava vazia, claro. Stanford permite essa encenação esperando que os alunos concluam o curso nos meses seguintes.


Formatura fake


Spiegel não completou os créditos e nunca olhou para trás. Hoje, se diz arrependido da formatura fake.


"Nós fazemos todo tipo de coisas tolas para evitar ser diferentes", ele lamentou quatro anos depois. O comentário foi feito ao falar aos formandos da Universidade do Sul da Califórnia, em maio de 2015.


Confira no vídeo de oito minutos, hospedado no YouTube. Ele fala de democracia (é para proteger dissidência, não as ideias mais populares), da geração millennium (fomos trazidos a este mundo, então temos direito a ele e somos responsáveis por ele), e sobretudo, de uma vida não acomodada.