• Sandra Carvalho

O cocô do hipopótamo vai fazer falta

Os animais são estratégicos para afastar algas invasoras de rios do Quênia.


Hipopótamos: diminuição pode colocar ecossistema de lagos e rios da África em risco | Foto: Jonas Schoelynck

Na África, os hipopótamos transportam grandes quantidades de silício da terra para água de rios e lagos através de suas fezes. Como eles diminuem cada vez mais, o ecossistema pode estar em apuros.

Os hipopótamos são criaturas de hábitos conhecidos: passam a noite bem ligados, comendo grama nas savanas africanas. Durante o dia, fogem do calor se refrescando em rios e lagos. É na água que eles fazem cocô, depositando assim silício extremamente necessário para manter longe algas invasoras que melam completamente o ciclo da vida local.

Problema: o número de hipopótamos tem caído muito na África por causa da caça e da diminuição de seu habitat.

O papel desses animais foi estudado por instituições europeias e americanas em aproximadamente 400 quilômetros do rio Mara, na Reserva Nacional Massai Mara, no sudoeste do Quênia. O resultado da pesquisa foi publicado na revista Science Advances.

Segundo o estudo, os animais absorvem 800 quilos de silício por dia através das plantas que eles comem. Metade acaba depositada na água através das fezes. Isso corresponde a 76% do silício do rio Mara.

Um dos locais que podem ser mais prejudicados pela diminuição dos hipopótamos a longo prazo é o Lago Vitória, um dos grandes lagos africanos, que se espalha pelo Quênia, Tanzânia e Uganda.

Por enquanto, o Lago Vitória bem boas reservas de silício, mas em algumas décadas, se o silício faltar, as algas nocivas podem tomar conta das águas, diminuindo o oxigênio e causando a morte dos peixes.

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