• Sandra Carvalho

O lado maligno (e ameaçador) do gás do riso

O óxido nitroso é um gás de efeito estufa, 300 vezes pior que o CO2 para aquecer a Terra.


Fertilizantes: a origem da maior parte do problemático óxido nitroso | Foto" cc0 Jan Amiss/Pixabay

Nas cadeiras dos consultórios dos dentistas, aplicado em pequenas doses em anestesias, o óxido nitroso, o N2O, tem um efeito deliciosamente relaxante. Na agricultura, liberado pelos fertilizantes, o óxido nitroso não tem nada de engraçado: é maligno.


Um time internacional de 57 cientistas do clima advertiu este mês, num estudo publicado na Nature, sobre o resultado dramático que as emissões do óxido nitroso que podem ter no aquecimento global.


Segundo eles, o N2O que vem da agricultura pode levar a um aumento de 3º C da temperatura da Terra ainda nesse século.


Explica-se: o óxido de carbono tem 300 vezes o potencial de aquecimento do dióxido de carbono, o temível CO2, e fica em média 116 anos na atmosfera.


Em impacto no ambiente, como gás de efeito estufa, só fica atrás do CO2, que persiste por milhares de anos, e do metano.


Normalmente o óxido nitroso é destruído pela radiação do Sol. O problema, conforme os pesquisadores, é que a humanidade está emitindo uma quantidade maior de N20 do está sendo neutralizada. O gás, então, está se acumulando na atmosfera.


Os cientistas apontaram os três lugares onde essas emissões crescem mais: Brasil, China e Índia, países onde a produção da agricultura e a pecuária tem aumentado muito.


Onde está o problema? Na agricultura


A origem do perigo das emissões do óxido nitroso: cerca de 100 milhões de toneladas de nitrogênio de fertilizantes sintéticos espalhados nas plantações, mais o que é colocado nos pastos e nas plantações como estrume de gado.


A indústria também tem suas emissões do óxido nitroso, principalmente a indústria química, mas numa medida bem menor que a agropecuária, de acordo com a pesquisa. O esgoto das cidades e a queima de combustíveis fósseis também liberam óxido nitroso.


Os pesquisadores verificaram que as emissões das fontes naturais de N20 presentes no solo e na água dos oceanos não mudaram muito nas últimas décadas. O que aumentou foram as emissões feitas pelos homens, que subiram 30% nas últimas décadas.


O uso de fertilizantes de nitrogênio sintético e as consequentes emissões de N20 foram muito maiores na Europa, América do Norte, Leste e Sul da Ásia. As emissões da América do Sul e da África já vieram mais do esterco do gado.


Em 2018, as concentrações atmosféricas de N20 chegaram a 331 parte por bilhão, 22% acima de 1750, antes da revolução industrial, segundo o estudo. Quase 70% das emissões vieram da agricultura na década até 2016.


"O N20 esgota a camada de ozônio e contribui para o aquecimento global", escreveram nove dos 57 cientistas no site The Conversation. " As emissões de N20 da agricultura e da indústria podem ser reduzidas e devemos tomar medidas urgentes se esperamos estabilizar o clima da terra."


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#Pecuária #Nitrogênio #N2O