• Sandra Carvalho

Como tanto lixo invadiu uma ilha deserta no fim do mundo?

A ilha de Henderson, no Pacífico Sul, tem a maior densidade de lixo em praia do globo.


Ilha de Henderson: paraíso e inferno no mesmo lugar | Fotos: Unesco e Jennifer Laves

Compare as duas imagens. A primeira é uma foto paradisíaca da ilha Henderson, escondida num lugar remoto do oceano Pacífico Sul. A segunda é uma foto nada idílica da mesma ilha.


Como a ilha Henderson, localizada no fim do mundo, sem um único habitante, um patrimônio mundial da humanidade, segundo a Unesco, pode ficar cheia de lixo?


A resposta: plástico. Há quase 70 anos a humanidade consome produtos de plástico com voracidade cada vez maior. De 1,7 milhão de toneladas de plástico produzidas em 1954 passamos a 311 bilhões em 2014.


Os detritos de plástico se espalham não só nos locais onde os produtos são descartados, mas invadem o meio ambiente marítimo por toda parte.


Cientistas encontraram na ilha Henderson a maior densidade de lixo depositado em praias já registrada no mundo. Ou seja, 38 milhões de itens de detrito, com 17,6 toneladas de peso.


O estudo, feito pelos cientistas Jennifer Laves, da Universidade da Tasmânia (UTAS), na Austrália, e Alexander Bond, do Centro de Ciência de Conservação, em Bedfordshire, na Inglaterra, foi publicado no jornal americano PNAS, da Academia Nacional de Ciência.


Detritos da ilha de Henderson: 27% são da América do Sul | Fotos: Jennifer Laves

Uma das razões para a ilha Henderson atrair lixo é ficar no sistema de correntes oceânicas Giro do Pacífico Sul, entre a América do Sul e a Austrália, que traz detritos da América do Sul para suas praias.


Mais de 27% dos itens identificáveis no lixo são sul-americanos.


A ilha é um território britânico. Tem dez plantas e quatro pássaros que só se encontram lá, de acordo com a Unesco.


Laves e Bond calculam que o lixo acumulado em todos os oceanos do mundo chegue atualmente a 5 trilhões de itens. Na maioria, microplástico.


Não é para menos. As 17,6 toneladas de detritos acumuladas na ilha Henderson correspondem, segundo o estudo, ao que o mundo produz hoje de plástico a cada 1,98 segundo.


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