• Sandra Carvalho

O mundo em 2100: os vencedores e perdedores

Estudo prevê reviravolta no tamanho da população e da economia de muitos países.


Haridwar, Índia: o país é um vencedor do final de século | Foto: cc0 Shashank Hudkar/Unsplash

Uma pesquisa monumental de cientistas da Universidade de Washington, em Seattle, jogou no lixo uma parte das previsões da ONU sobre o futuro dos países e suas populações.


Em 2100, seremos 8,8 bilhões de pessoas, e não 11 bilhões, como diz a ONU, segundo a pesquisa. Chegaremos a um pico de 9,7 bilhões em 2064, mas a partir daí começaremos a encolher, encolher, encolher.


O estudo, feito pelo instituto de métricas da universidade, o IHME, foi publicado no jornal The Lancet. Faz previsões sobre 195 países e territórios, partindo de dados que começam em 2017 e chegam a 2.100.


Segundo os pesquisadores, 183 dos 195 países terão taxas de fertilidade abaixo de 2,1 por mulher, o que leva necessariamente à diminuição da população.


Em 23 países e territórios, a população vai cair a menos da metade, de acordo com o estudo. Na Ásia, é o caso do Japão, da Coreia do Sul e da Tailândia. Na Europa, da Espanha e Portugal. Em outros 34 países, a queda prevista fica entre 25% e 50%.


A guinada demográfica leva a mudanças vulcânicas. "O século 21 verá uma revolução na história da civilização humana", comentou o editor chefe do Lancet, Richard Horton.


O IHME analisou o impacto do encolhimento da população na economia, com menos adultos em idade de trabalhar. Resultado: o ranking do PIB no mundo vai mudar significativamente. Quem serão os vencedores e perdedores do século, segundo o estudo do IHME?


Os maiores vencedores


Índia - Parte do sétimo lugar no ranking das maiores economias em 2017 para ser um dos três maiores PIBs do globo a partir de 2050. Já terá a maior força-de-trabalho do mundo ainda nesta década, superando a China. Chega a 2.100 com quase 1,1 bilhão de habitantes, 300 milhões a menos do que hoje.


Nigéria - Vai fazer uma ascensão gradativa, mas vertiginosa, do 28º lugar entre as maiores economias em 2017 para chegar à nona posição em 2100. Será a vingança da África subsaariana. A população vai saltar dos 206 milhões de 2017 para 790 milhões no fim do século.


Austrália - Lentamente, vai pular da 12ª colocação em 2017 para chegar ao oitavo lugar em 2100, ajudada pela política de imigração de longo prazo. A população deve ir dos 24 milhões de 2017 para 36 milhões em 2.100.


Os maiores perdedores


Itália - É a mais espetacular derrocada econômica do estudo. De nona economia do mundo em 2017, começa a decair a partir de 2030 para chegar à 25ª posição em 2100. A população cai pela metade, indo dos atuais 60 milhões de habitantes para 30 milhões no fim do século.


Espanha - Num desempenho igualmente desastroso, sai da 13ª posição no ranking das economias top em 2017 para acabar no 28º lugar em 2100. Os espanhóis encolhem de 46 milhões para 22 milhões.


Brasil - Consegue se segurar como oitavo maior PIB do mundo até 2050, mas daí para frente cai até chegar a 2100 como 13º. Caso sirva de consolo, continua como a maior economia latino-americana. Os brasileiros somam 235 milhões em 2043, mas encolhem dali para frente. No fim do século, ficam em 165 milhões.


Arábia Saudita - Sem nunca estar entre os maiores PIBs do mundo, a Arábia Saudita despenca da 19ª posição para a 32ª, numa queda acelerada a partir de 2050. Faltou petróleo? Sobrou petróleo? Ninguém mais quer saber de petróleo? A flutuação de população não foi muito acentuada nesse caso.


Empate no jogo


EUA e China - Os protagonistas da nova guerra fria continuarão disputando a primeira posição ao longo do século. Os Estados Unidos ganham na largada, mas a China se torna a número 1 em 2050.


Em 2.100, os dois países trocam de posição. Aí é vez de EUA em primeiro e China em segundo. Nesse período, a população americana aumenta ligeiramente (de 324 milhões para 335 milhões ) e a da China despenca de 1,412 bilhão para 732 milhões.


Resumo da ópera: conforme as previsões do IHME, das dez maiores economias de 2017, sete permanecerão no topo em 2100: Estados Unidos, China, Índia, Japão, Alemanha, França e Reino Unido. Saem Brasil, Itália e Rússia para dar lugar à Austrália, Nigéria e Canadá.


Dica dos pesquisadores: uma política liberal de imigração pode ajudar a sustentar o tamanho das populações e o crescimento econômico dos países mais afetados, compensando as quedas nas taxas internas de fertilidade.


Para mergulhar na dança de cadeiras do IHME, explore essa tabela publicada no Lancet:


Tabela: IHME/Lancet

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