• Sandra Carvalho

O Museu da Bíblia envolvido em acusações de contrabando

O museu nem abriu ainda e já é acusado de ter comprado peças saqueadas do Iraque.


Museu: controvérsia antes da estreia | Foto: Museu da Bíblia

O Museu da Bíblia, um edifício de 40 mil metros quadrados em construção em Washington, a três quarteirões do Congresso americano, deve estrear em novembro.


Mas antes mesmo da abertura já foi suspeito de envolvimento no contrabando de mais de 5.500 artefatos antigos do Iraque - tábuas com escrita cuneiforme da Mesopotâmia e bolas de argila, consideradas por alguns cientistas os primeiros sistemas de armazenamento de dados do mundo.


O Museu da Bíblia é uma iniciativa do empresário americano cristão Steve Green, dono da rede de lojas de material de artesanato Hobby Lobby.


É um investimento privado de meio bilhão de dólares, que exibirá mais de 40 mil artefatos bíblicos e religiosos.


Steve e o pai, David, vem colecionando itens há anos. Entre os que serão exibidos, estão a maior Bíblia do mundo e a Bíblia pessoal de Elvis Presley.


Segundo o Departamento de Justiça americano, chegou-se a um acordo sobre as milhares de peças antigas iraquianas que haviam sido contrabandeadas.


A Hobby Lobby, que tinha recebido os artefatos em suas dependências, concordou em devolver tudo ao Iraque e pagar 3 milhões de dólares de multa.


De acordo com a descrição do caso feita por funcionários de Nova York do Departamento de Justiça em seu comunicado, Green e um consultor viajaram aos Emirados Árabes Unidos em julho de 2010 para inspecionar os artefatos em questão.


Green teria sido alertado de que as tábuas cuneiformes tinham o risco de terem sido saqueadas de sítios arqueológicos do Iraque.


Mesmo assim, a Hobby Lobby comprou 5.548 artefatos por 1,6 milhão de dólares.

Eles foram registrados como peças de cerâmica e argila e enviados pelos fornecedores a prédios da Hobby Lobby em sua matriz, Oklahoma City, conforme relato da agência de notícias Reuters.


Green disse que cooperou com as investigações e garantiu que as próximas aquisições seguirão os padrões mais altos da indústria.


Num comunicado do dia 5 de julho, a Hobby Lobby reafirmou suas boas intenções, de preservar os artefatos para as futuras gerações.


"Desenvolver uma coleção de livros importantes em termos históricos e religiosos sobre a Bíblia é consistente com a missão da companhia e sua paixão pela Bíblia", diz o texto.

Não houve no comunicado qualquer pedido de desculpas ao Iraque.


Para ter uma ideia do que será o Museu da Bíblia, veja este vídeo de 6:07 minutos hospedado no YouTube.



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