• Sandra Carvalho

O que uma rã e duas pererecas invasoras aprontam no Brasil

Fora de seus ambientes naturais, elas causam problemas em várias regiões do Brasil.


Pererecas e rã: fora de seu habitat natural   | Fotos: cc Weslei Pertel, CharlesjsSharp e Cephas

Pererecas-assobiadoras, pererecas-das-bromélias, rãs-touro. Fora de seus ambientes naturais, elas estão causando problemas em várias regiões do Brasil.


A perereca-assobiadora (Eleutherodactylus johnstonei), que veio das Antilhas menores em plantas decorativas, inferniza a vida dos moradores do bairro do Brooklyn, em São Paulo, com seus sons estridentes.


Perereca-assobiadora: suplício dos paulistanos do Brooklin, com sons estridentes   | Foto: Lucas Forti et al

"Todo o barulho é produzido pelo macho da espécie, pois a fêmea é muda", explicou o biólogo Célio Haddad, professor da Unesp, ao jornalista Peter Moon, da Agência Fapesp.


Haddad e dois outros biólogos Unicamp, Lucas Forti e Luís Felipe Toledo, estudaram juntos as perspectivas dos anfíbios invasores no Brasil. Sua pesquisa foi publicada dia 22 de setembro no jornal PLOS ONE.


As pererecas barulhentas podem se tornar uma dor de cabeça muito além do Brooklin. "Se nada for feito, a população de pererecas-assobiadoras vai se alastrar e, caso venha a a atingir uma área de mata, sair de controle, alertou Haddad.


Os sons das pererecas-das-bromélias (Phyllodytes luteolus) também estão provocando estragos, mas de outro tipo, na Baixada Santista.


Essas pererecas são nativas de algumas áreas da Mata Atlântica que vão do Espírito Santo a Pernambuco e foram para a Baixada provavelmente em plantas ornamentais. No mosaico de cima, a perereca-das-bromélias é a primeira à esquerda.


O problema na Baixada é que os machos das pererecas-das-bromélias atraem as fêmeas cantando na mesma frequência de pererecas nativas da região. Isso atrapalha a comunicação das espécies nativas e poderia abalar sua reprodução.


As pererecas-das-bromélias também estão presentes no Rio de Janeiro.

Já as rãs-touro (Lithobastes castesbeianus) têm um impacto maior que as pererecas invasoras.

Elas foram importadas da América do Norte por criadores profissionais de rãs no século passado. Escaparam dos ranários e se alastraram pelo Sul e pelo Sudeste do país.


Rã touro: disseminando fungo   | Foto: divulgação

Das espécies anfíbias invasoras, é a única que tem impacto confirmado em biodiversidade. Além dos interferências acústicas no ambiente, compete pelos mesmos recursos disputados por animais nativos.


Detalhe: as rãs-touro disseminam um fungo suspeito de causar extinções em massa de anfíbios, o fungo Bd. As rãs-touro carregam o fungo, mas são resistentes a ele.


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