• Sandra Carvalho

O ratinho selvagem Tooarrana está no sufoco na Austrália

Ameaçado de extinção, ele já desapareceu de 53% dos lugares onde costumava viver.


Tooarrana: calor não ajuda | Foto: David Paul/Museums Victoria

Desde que os europeus se estabeleceram na Austrália, no final do século 18, aproximadamente 17% dos roedores nativos já desapareceram, e outros 22% estão ameaçados de extinção. Entre eles, o gentil Tooarrana.


Batizado de Tooarrana muito tempo atrás por povos indígenas, ele também é chamado de rato-de-dentes-largos. É o Mastacomys fuscus. Felpudo, fofo, herbívoro, gosta de lugares altos, úmidos e frios, mas a Austrália não anda colaborando nesse sentido.


A temperatura já subiu 0,9 º C desde 1910, e se prevê que se eleve entre 0,6º a 1,5 C até 2030. Sem falar nas secas, nos verões tórridos e incêndios florestais dos últimos anos.


O resultado é que o rato-de-dentes-largos já desapareceu de 53% dos lugares onde costumava viver, que foram muito afetados pela mudança de clima.


O recuo da espécie foi quantificado por cientistas australianos que se pautaram por suas fezes verdes. O Tooarrana consome 70% de seu peso em gramas e ervas todos os dias, então faz muito cocô dessa cor, cerca de 400 pelotinhas por dia, deixando pistas relativamente fáceis de achar.


O ratinho, que costuma medir entre 14 e 17 centimentros de corpo na idade adulta, vive apenas no Sudeste da Austrália. Quando os campos de poa, sua alimentação preferida, desaparecem, em função de secas mais frequentes, eles somem junto.


Os primeiros roedores chegaram à Austrália 4 milhões de anos atrás, vindos da Nova Guiné. Seus descendentes se espalharam pelos desertos, montanhas e áreas úmidas do país, se integrando em todos os ecossistemas.


Poa: o alimento preferido do rato-de-dentes-largos | Foto: John Broomfield/Museums Victoria

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