• Sandra Carvalho

O retorno dos demônios-da-tasmânia, 3 mil anos depois

Eles voltaram à Austrália continental protegidos, para repovoar o interior do país.


Demônio-da-tasmânia: só restam 25 mil | Foto: Aussie Ark

Os ferozes demônios-da-tasmânia retornaram ao continente australiano, três milênios depois de terem desaparecido dali. Vinte e seis animais foram soltos este ano num santuário de vida selvagem no leste do país.


A ideia é que, com o tempo, eles repovoem o interior da Austrália, e ajudem a restaurar o equilíbrio de seus ecossistemas. E, claro, que deixem de ser uma espécie ameaçada.


Os demônios-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) são predadores de respeito, mas não representam um perigo para humanos.


No santuário Barrington, de 400 hectares, os animais encontraram um ambiente meticulosamente preparado para que eles possam prosperar.


Raposas-vermelhas e gatos selvagens, que são espécies invasoras na Austrália, foram exterminados na área, que é cercada.


Plantas tóxicas foram retiradas, e folhas mortas também, para não dar chance a incêndios. Carros foram banidos - o objetivo é evitar que os animais associem comida com automóveis.


Demônios-da-tasmânia: proteção | Foto: Aussie Ark

É um trabalho de 3 organizações, WildArk, Aussie Ark e Global Wildlife Conservation, que compartilham um objetivo: recuperar os ecossistemas australianos, para que fiquem como eram antes da chegada dos europeus, no século 18.


O plano pode ser resumido em inglês em duas palavras: Rewild Australia.


Não se sabe porque os demônios-da-tasmânia desapareceram do continente da Austrália, mas se sabe que os cães selvagens dingos, que chegaram ali milhares de anos atrás, tiveram um papel nisso.


Segundo a WildArk, os demônios não conseguiram competir com os dingos, que caçavam em grupo. Os únicos demônios-da-tasmânia que sobreviveram se encontram na ilha da Tasmânia, onde os dingos nunca prosperaram.


Restam na ilha da Tasmânia 25 mil animais, que enfrentam ali um outro tipo de ameaça: um câncer contagioso e fatal, conhecido pela sigla DFTD (Devil Facial Tumour Disease).


Conservacionistas tentam isolar os demônios-da-tasmânia saudáveis dos doentes, mas o esforço é dificílimo e tem limites.


Atores Chris Hemsworth e Elsa Pataky no momento da liberação dos animais no santuário | Foto: WildArk

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