• Sandra Carvalho

O roteiro para apagar memórias de medo do cérebro está pronto

Já foram feitas experiências com ratos em laboratório. Mas não com humanos.


Cérebro: a ideia é deletar seletivamente o que está na memória   | Imagem: cc0  Pixabay

Dois cientistas da Universidade da Califórnia (UC) em Riverside bolaram um método de apagar seletivamente algumas memórias de medo - as do medo patológico.


Trabalhando com ratos em laboratório, eles conseguiram enfraquecer as conexões entre as células nervosas envolvidas na formação dessas memórias.


O estudo foi publicado ontem no jornal Neuron.


O método poderia ajudar no tratamento de transtornos de stress pós-traumático e outras fobias, eliminando permanentemente os medos doentios. As memórias de medo saudáveis, tão importantes para sobreviver no dia a dia, seriam mantidas.


É o caso, por exemplo, do som de uma buzina ao atravessar a rua, do latido de um cachorro num ambiente estranho, de tiros de metralhadora em qualquer lugar.

É claro que um procedimento de apagamento de memória pode abrir a porta para manipulação do cérebro das pessoas e muitos outros usos malignos. Mas isso vai depender do uso da técnica no futuro.


Optogenética


Os cientistas Jun-Hyeong Cho e Woong Bin Kim trabalharam com as sinapses entre os neurônios, particularmente com os sons enviados para a amídala, uma área de cérebro essencial para o aprendizado do medo e para memória.


Enfraquecendo essas conexões, apagaram a memória de medo ligadas a esses sons.


O trabalho deles no laboratório foi resumido num comunicado da Universidade da Califórnia em Riverside. Eles se basearam em optogenética para enfraquecer as sinapses.


No laboratório, expuseram ratos a dois sons, um tom alto e outro baixo. Nenhum produziu medo nos ratos. Em seguida, eles associaram um tom alto a um choque suave nos pés dos ratos.


Expostos de novo aos dois sons, os ratos ficaram indiferentes ao tom baixo mas ficaram paralisados ao ouvir o tom alto. Aí é que entra a optogenética: os cientistas usaram luz para apagar a memória de medo associada ao tom alto.


"Usando estímulos de baixa frequência com luz, fomos capazes de apagar a memória de medo enfraquecendo artificialmente as conexões que transmitiam os sinais do tom alto associados aos choques nos pés", explicou Cho.


Um vídeo de 51 segundos da UCR, hospedado no YouTube, explica rapidamente o processo.


#Cérebro #Medo #Memória #Stress #UCRiversidade