• Sandra Carvalho

O trabalho das abelhas e morcegos vale uma nota

O valor da polinização por animais é estimado em 13 bilhões de dólares por ano no país.


Abelha
Abelha: uma tremenda ajuda para a agricultura | Foto: cc0 Dmitry Grigoriev/Unsplash

O trabalho de polinização de animais como abelhas, moscas, borboletas, besouros, pássaros e morcegos nas plantações do Brasil vale aproximadamente 13 bilhões de dólares por ano, representando 15,6% do valor monetário da produção agrícola do país.


A estimativa é de um grupo de cientistas de instituições brasileiras, argentinas e alemãs, e foi publicada hoje no jornal Environmental Science e Technology.


Eles examinaram dados de mais de 5 mil cidades brasileiras e plantações de mais de 180 culturas diferentes, tendo como base informações de 2017.


Melancia, abóbora, café, laranja, feijão, maracujá, côco, tomate e abobrinha são culturas que precisam bastante de uma mãozinha dos animais para prosperar.


Segundo a pesquisa, a vegetação nativa perto de fazendas reforça a polinização natural e aumenta a produtividade das plantações. A produtividade do café pode subir até 40% e a do cacau, 100%, de acordo com informações da Agência Bori.


Entre as 90 culturas dependentes de polinização feita por animais do estudo, a polinização é essencial para 34, grande para 27, modesta para 20 e pequena para 10.


Consideradas em conjunto, são culturas que chegam a um valor anual de 47 bilhões de

dólares e a uma produção de 137 bilhões de toneladas.



Borboleta
Borboleta em Bonito: mostrando serviço, mesmo de asa ferida | Foto: cc0 Miriam Mica/Unsplash

Paradoxalmente, justamente nas cidades onde as plantações dependem mais da polinização animal há mais desmatamento e déficit de vegetação - o que dificulta a polinização natural.


Um exemplo são as plantações de soja. Os pesquisadores apontam que produção de soja está ligada à "desflorestação massiva" no Cerrado e na Amazônia, queda dos serviços de polinização dos animais e consequente diminuição da produtividade das plantações.


Conforme a pesquisa, há evidências de que plantações de soja a até 100 metros de grandes áreas de floresta (mais de 110 hectares), têm maiores taxas de polinização animal e maior rendimento da cultura do que as plantações longe das florestas.

A conclusão óbvia do estudo é que a agricultura também pode se beneficiar da biodiversidade e da conservação das florestas, em vez de ser inimiga delas.


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