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O turismo espacial está pronto para estrear

Quem diz isso é a professora americana de estudos espaciais Wendy Whitman Cobb.*


Starship, da SpaceX
Foguete Startship, da SpaceX, que já vende passagens para o espaço | Foto: cc Jared Krahn/Wikimedia Commons

Para a maioria das pessoas, chegar às estrelas nada mais é do que um sonho. Em 28 de abril de 2001, Dennis Tito alcançou esse objetivo supremo - mas ele não era um astronauta típico.


Tito, um rico empresário, pagou US $ 20 milhões por um assento em uma espaçonave russa Soyuz para ser o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional.


Apenas sete pessoas fizeram a mesma coisa nos 20 anos que se passaram de lá para cá, mas esse número deve dobrar nos próximos 12 meses.


A NASA há muito hesita em receber turistas espaciais, então a Rússia - em busca de fontes de dinheiro pós-Guerra Fria nas décadas de 1990 e 2000 - tem sido a única opção disponível para quem procura esse tipo de aventura extrema.


No entanto, parece que o surgimento de empresas espaciais privadas tornará mais fácil para as pessoas comuns subirem ao espaço.


Da minha perspectiva de analista de política espacial, vejo o início de uma era em que mais pessoas poderão ter sua experiência no espaço.


Com empresas como a SpaceX e a Blue Origin esperando construir um futuro para a humanidade no espaço, o turismo espacial é uma forma de demonstrar ao público em geral a segurança e a confiabilidade das viagens espaciais.


O desenvolvimento do turismo espacial


Voos para o espaço como o de Dennis Tito são caros por um motivo. Um foguete deve queimar muito combustível caro para atingir rapidamente uma altura suficiente para entrar na órbita da Terra.


Outra possibilidade mais barata é um lançamento suborbital, com o foguete voando alto o suficiente para alcançar a borda do espaço e voltando para baixo a partir daí.


Esses lançamentos são mais acessíveis, e os passageiros experimentam leveza e vistas incríveis em uma viagem suborbital.


A dificuldade e o custo de qualquer uma das opções fizeram com que apenas os países fossem capazes de explorar o espaço durante um bom tempo.


Isso começou a mudar na década de 1990, quando uma série de empreendedores entrou na arena espacial. Três empresas lideradas por CEOs bilionários surgiram como principais protagonistas desse jogo: Virgin Galactic, Blue Origin e SpaceX.


Embora nenhuma tenha levado clientes privados pagantes para o espaço, todas antecipam isso em um futuro muito próximo.


O bilionário britânico Richard Branson construiu sua marca não apenas nos negócios, mas também em seu amor pela aventura. Na busca do turismo espacial, Branson trouxe ambos.


Ele fundou a Virgin Galactic após comprar a SpaceShipOne - uma empresa que ganhou o Ansari X-Prize ao construir a primeira nave reutilizável. Desde então, a Virgin Galactic tem procurado projetar, construir e voar uma SpaceShipTwo maior, que possa transportar até seis passageiros em um voo suborbital.


O desenvolvimento tem sido mais difícil do que o previsto. Embora Branson previsse a abertura do negócio para turistas em 2009, a Virgin Galactic encontrou alguns obstáculos significativos - incluindo a morte de um piloto em um acidente em 2014.


Após o acidente, os engenheiros encontraram problemas significativos com o design do veículo, que exigiu modificações.


Dennis Tito e astronautas russos na ISS
Dennis Tito, à esquerda, com dois astronautas russos na ISS | Foto: NASA

Elon Musk e Jeff Bezos, respectivos líderes da SpaceX e Blue Origin, começaram seus próprios empreendimentos no início dos anos 2000.


Musk, temendo que uma catástrofe de algum tipo pudesse deixar a Terra inabitável, ficou frustrado com a falta de progresso em tornar a humanidade uma espécie multiplanetária.


Ele fundou a SpaceX em 2002 com o objetivo de primeiro desenvolver tecnologia de lançamento reutilizável para diminuir o custo de chegar ao espaço. Desde então, a SpaceX obteve sucesso com seu foguete Falcon 9 e a espaçonave Dragon.


O objetivo final da SpaceX é a colonização humana de Marte - enviar clientes pagantes ao espaço é uma etapa intermediária.


Musk diz que espera mostrar que as viagens espaciais podem ser feitas facilmente e que o turismo pode fornecer uma fonte de receita para apoiar o desenvolvimento de um sistema maior de Startship com foco em Marte.


Bezos, inspirado pela visão do físico Gerard O'Neill, quer expandir a humanidade e a indústria não para Marte, mas para o próprio espaço.


A Blue Origin, fundada em 2004, avançou lenta e silenciosamente no desenvolvimento de foguetes reutilizáveis.


Seu foguete New Shepard, lançado com sucesso pela primeira vez em 2015, oferecerá aos turistas no futuro uma viagem suborbital até a borda do espaço, semelhante à da Virgin Galactic.


Para Bezos, esses lançamentos representam um esforço em tornar as viagens espaciais uma rotina confiável e acessível às pessoas, como um primeiro passo para permitir uma maior exploração espacial.


Perspectivas para o futuro


Agora, a SpaceX é a única opção para quem deseja ir ao espaço e orbitar a Terra.


Atualmente há dois lançamentos turísticos planejados. O primeiro está programado já para setembro de 2021, financiado pelo empresário bilionário Jared Isaacman. A outra viagem, prevista para 2022, está sendo organizada pela Axiom Space.


Essas viagens serão caras: ficarão em 55 milhões de dólares, incluindo o voo e uma estadia na Estação Espacial Internacional (ISS).


O alto custo levou alguns a alertar que o turismo espacial - e o acesso privado ao espaço de forma mais ampla - pode reforçar a desigualdade entre ricos e pobres.


As viagens suborbitais da Blue Origin e da Virgin Galactic têm um custo muito mais razoável, com preços entre 200 mil e 250 mil dólares.


A Blue Origin parece estar mais próxima de permitir clientes pagantes a bordo, dizendo , após um lançamento recente, que as missões tripuladas aconteceriam "em breve".


A Virgin Galactic continua testando a SpaceShipTwo, mas nenhum cronograma específico foi anunciado para voos turísticos.


Embora esses preços sejam altos, vale a pena considerar que a passagem de 20 milhões dólares de Dennis Tito em 2001 poderá pagar 100 voos na Blue Origin.


A experiência de ver a Terra do espaço, entretanto, pode não ter preço para uma nova geração de exploradores espaciais.


☛ Este artigo foi republicado do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o original em inglês.


* Wendy Whitman Cobb é professora de Estudos de Estratégia e Segurança da Escola de Estudos Aéreos e Espaciais Avançados da Força Aérea dos Estados Unidos.


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