• Sandra Carvalho

Obesidade não vem de comer demais?

Pelo menos é a tese de um número crescente de especialistas americanos.


Obesidade: a origem pode estar no consumo excessivo de carboidratos ultraprocessados | Foto: cc0 Diana Polekhina/UnsplASH

A explicação mais usual para obesidade é a que diz que os gordinhos consomem mais energia do que gastam. Trocando em miúdos, comem demais e fazem exercício de menos.


Mas nos últimos anos um número crescente de especialistas propõe outra explicação.

Segundo eles, a origem da obesidade está mais no que se come, não em quanto se come.


Dezessete cientistas ligados a universidades de prestígio, como #Harvard e #Duke, acabam de endossar essa explicação num estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition.


Para entender a obesidade, eles se baseiam no modelo de carboidrato-insulina (CIM, na sigla americana). Esse modelo não é novo, mas está ganhando momento.


Segundo esses cientistas, o problema da obesidade é o consumo excessivo de alimentos com alta carga glicêmica, principalmente de carboidratos ultraprocessados e de digestão bem fácil. Traduzindo: fast food e suas calorias vazias.


Como a coisa funciona, de acordo com os especialistas? A Sociedade Americana de Nutrição resumiu bem o processo.


Quando se come carboidratos ultraprocessados, o corpo aumenta a secreção de insulina e derruba a de glucagon. As células de gordura entendem que é necessário armazenar mais calorias, em vez de abastecer os músculos e os tecidos.


O cérebro, notando que falta energia para músculos e tecidos, produz a sensação de fome, mesmo que o corpo acumule excesso de gordura.


Para piorar, o metabolismo pode se tornar mais lento, na tentativa de economizar energia, piorando o problema.


Assim, a causa primária da obesidade não é comer demais - é o processo de engordar que leva a comer em excesso, já que os carboidratos ultraprocessados conduzem sempre à sensação de fome.


De acordo com os defensores do CIM, a saída é prestar atenção no que se come, em vez de obcecar sobre quantidades, uma abordagem que não costuma se sustentar a longo prazo.


"Reduzir o consumo de carboidratos de rápida digestão diminui o impulso subjacente para armazenar gordura corporal", observa o endocrinologista David Ludwig, do Hospital Infantil de Boston e professor da Faculdade de Medicina de Harvard, uma das principais vozes pró-CIM. "Como resultado, as pessoas podem perder peso com menos fome e esforço."


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