• Sandra Carvalho

Obesos, malnutridos e mal pagos: o mapa atual da obesidade

Há 124 milhões de crianças e adolescentes obesos no mundo, 10 vezes mais que há 40 anos.


Em vermelho escuro, as áreas onde a obesidade de meninos e adolescentes chega a 50% | Mapa: NCD-Risc

No Dia Mundial da Obesidade, nada mais natural que a Organização Mundial de Saúde atormentar a humanidade com verdades inconvenientes.


Há hoje 124 milhões de crianças de crianças e adolescentes obesos no mundo, dez vezes mais do que 40 anos atrás. Obesos mesmo, com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30.


Crianças e adolescentes com sobrepeso são outros 213 milhões. Nesse caso, o IMC fica acima de 25 mas abaixo de 30. Os números incluem todas as pessoas entre 5 e 19 anos de idade.


Tão preocupante quanto os milhões de crianças e adolescentes obesos é a tendência que eles continuem se multiplicando. Os países ricos conseguiram brecar essa tendência, mas nos países de renda baixa e média a tendência é de disparada.


"A tendência é de uma geração de crianças e adolescentes crescendo obesos e malnutridos", observou Majid Ezzatti, professor do Imperial College, de Londres, que conduziu os estudos de obesidade para a OMS, em um comunicado da universidade.


"Isso é reflexo de políticas e do marketing de alimentos ao redor do mundo, que fazem comida saudável ser muito cara para famílias pobres."


Ezzatti defende regulação e o uso de impostos para proteger crianças de comida não saudável.


Se a tendência de multiplicação de crianças e adolescentes continuar, dentro de cinco anos eles já serão mais numerosos que os com peso moderadamente ou severamente abaixo do normal.


Este gráfico mostra como está a situação no momento. O Brasil ocupa um inconveniente quarto lugar no ranking infanto-juvenil da obesidade, com 13,8 milhões de garotos e garotas pesando demais.



A obesidade é mais frequente com garotos do que com meninas.


O estudo sobre obesidade foi publicado no jornal The Lancet. Analisou peso e altura de 130 milhões de pessoas de 1975 a 2016, no maior estudo epidemiológico global já feito, com contribuição de mais de mil pesquisadores da organização NCD-RisC .


O crescimento da obesidade constatado é abissal: de menos de 1% em 1975 para 6% em 2016 no caso de meninas e para 8% no caso dos garotos.


A OMS fez um plano para deter a obesidade. "Os países devem reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, baratos, densos de caloria e pobres em nutrientes", disse Fiona Bull, da área de prevenção de doenças da ONU.


"Também devem reduzir o tempo que as crianças passam em atividades sedentárias, como telas de celulares e computadores, promovendo maior participação em recreação ativa e esportes."


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