• Sandra Carvalho

Olhe o que está faltando no prato do brasileiro

Consumimos poucos compostos bioativos, que reduzem o risco de doenças crônicas.


Verduras e frutas
Menos de 10% da população consome frutas e hortaliças em quantidade suficiente | Foto: cc0 Maarten van Den Heuvel /Pexels

Frutas, verduras, leguminosas, cereais - é aí que moram os compostos bioativos, ótimos aliados de uma vida saudável.


O brasileiro consome menos do que devia desses alimentos, principalmente de frutas e verduras, e assim perde a chance de afastar doenças crônicas (diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares como infartos e AVC, doenças neurodegenerativas, degeneração macular e até alguns tipos de câncer).


Os compostos bioativos não fazem milagres - precisam ser consumidos regularmente e em boa quantidade para ter seus celebrados efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes, vasodilatadores e anticarcinogênicos.


Uma pesquisa da USP mostrou o que está faltando na dieta nacional: menos de 10% da população consome 400 gramas de frutas e hortaliças por dia, a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (#OMS) para diminuir o risco de doenças crônicas.


Os cientistas analisaram os hábitos alimentares de 34 mil pessoas acima de 10 anos de idade em cinco regiões do país para chegar a essa conclusão.


Três exemplos do que falta no prato do brasileiro:


No Brasil, o consumo médio de carotenoides, um tipo de compostos bioativos, é de 1,8 mg/1000 kcal por dia. Na Espanha, é de 5,9 mg. Nos Estados Unidos, de 7,4.


Tratando-se de compostos bioativos fenólicos, a ingestão média no país é de 204 mg/1000 kcal por dia. Na França, chega a 820 mg. No Japão, a 1.492.


Quando se considera os compostos bioativos glicosinolatos, o consumo nacional é quase nada, nadica. Na Holanda, é de 6,5 mg/1000 kcal.


No prato do brasileiro também há menos fibras e micronutrientes do que o necessário, segundo os pesquisadores.


Como em tudo no país, os hábitos alimentares refletem a desigualdade de renda. As pessoas de renda mais alta consomem mais os compostos bioativos, principalmente carotenoides e fenólicos.


Mas as pessoas de renda baixa não ficam totalmente descobertas - consomem bem milho e batata-doce, que também têm compostos bioativos.


O estudo foi publicado no British Journal of Nutrition.


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