• Sandra Carvalho

Os cientistas querem saber por que as pessoas são certinhas (ou intrépidas)

O segredo pode estar numa área de cérebro, a amídala basolateral.


Ordem ou desordem: um dos traços definidores de tomadas de decisão   |  Foto: cc0/Markus Spiske/Unsplash

Por que algumas pessoas preferem ordem e certeza, e outras se atrevem a arriscar mais?


Duas cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) estão revirando o cérebro dos ratos para achar essa resposta.


A pesquisa delas - Alicia Izquierzo e Alexandra Stolyarova - foi publicada no journal eLife dia 6 de julho.


O foco da investigação está em duas áreas do cérebro, a amídala basolateral e o córtex órbito-frontal, ambas envolvidas no processo de tomada de decisões.


Os ratos foram estimulados a escolher entre duas imagens colocadas lado a lado, tocando o nariz numa tela do tamanho de um iPad.


Quando um rato tocava uma imagem, recebia uma bolinha de açúcar, geralmente 10 segundos depois. Quando tocava outra imagem, recebia a bolinha de açucar em tempos variados. Às vezes 5 segundos depois, às vezes 15 segundos dois.


Os ratos foram capazes de aprender a flutuação do tempo da recompensa. Quando o tempo variava mais, aumentando a incerteza da recompensa, a proteina do cérebro gephyrin dobrava na amídala basolateral.


Todos os ratos optaram mais pela opção mais arriscada, não a mais segura. A exceção foram os ratos sem a amídala basoleral, que se mostraram totalmente avessos a risco.


Ratos sem o córtex órbito-frontal não conseguiram aprender nada, e estavam sempre repetindo a experiência como se fosse a primeira vez.


Quais as ilações que podem ser feitas entre essas experiências com ratos e o comportamento humano?


Variações de gephyrin têm sido ligadas ao autismo, um problema marcado pelo apego à ordem e a certeza. A desordem obsessiva-compulsiva também tem essa marca de ordem e certeza.


Pesquisas futuras poderão mostrar se as pessoas com autismo e desordem obsessiva-compulsiva também manifestam essas variações reveladas no estudo do cérebro dos ratos.


A ideia por trás do estudo atual é a medicina de precisão, afirmou Alicia Izquierdo num comunicado da Universidade da Califórnia. Isto é, uma medicina capaz de tratar qualquer área específca do cérebro.


De acordo com ela, com a medicina de precisão se poderia tratar até vícios comportamentais como o do jogo. A conferir.


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