• Sandra Carvalho

Os drones vão matar os fogos de artifício?

Eles mostraram potencial para distrair multidões nesta virada de ano, sem perturbar ninguém.


Fogos de artifício no Rio de Janeiro e drones em Xangai para marcar a chegada de 2020 : opções concorrentes Fotos: cc Alex Ferro/Riotur e reprodução YouTube da CGTN

Os shows espetaculares de fogos de artifício, com seu barulhão natural, estão cada vez mais sob ataques. Assustam bebês, idosos, pessoas com autismo e animais, e isso não passa mais batido.


Já eram criticados há muito tempo pelos médicos, por serem intrinsecamente perigosos - acidentes com fogos de artifício machucam, mutilam e até matam.


Nesta virada de ano, só na região metropolitana de Curitiba, cinco pessoas perderam a mão inteira ou tiveram uma parte amputada em acidentes com fogos de artifício.


Cinco mil pessoas foram hospitalizadas por acidentes com fogos de artifício entre 2008 e 2017 no Brasil, segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina.


O estudo mostrou que 218 pessoas morreram nesses acidentes entre 1997 e 2018.


Banindo fogos


No mundo, algumas cidades já vetaram ou restringiram muito o uso pessoal de fogos de artifício, permitindo apenas os espetáculos feitos por profissionais. É assim em Paris, com poucas exceções, e Nova York .


Cerca de 30 cidades alemãs também baniram total ou parcialmente o uso particular de fogos de artifício - como Berlim, Hamburgo e Munique.


Na China, mais de 400 cidades proibiram os fogos de artifício, de uso pessoal ou profissional, para reduzir a poluição.


Nos Estados Unidos, Massachusetts proíbe totalmente os fogos artifício para consumidores, e vários outros estados restringem bastante seu uso.


Na cidade de São Paulo há uma lei que proíbe fogos barulhentos sancionada pelo prefeito Bruno Covas desde 2018, mas que ainda está enredada em um debate no STF sobre sua constitucionalidade.


Sem barulho em São Paulo?


Em 2019 a Prefeitura conseguiu fazer seu show de fogos de artifício silencioso, como queria, mas este ano a empresa contratada para repetir a dose de silêncio desrespeitou a especificação e os fogos foram barulhentos.


Para as pessoas que soltam fogos nessa época do ano, não parecia haver restrição alguma: a passagem de ano na cidade teve o barulhão de sempre.


Enquanto as críticas aos fogos de artifício aumentam, os drones vão dando mostras que têm potencial para tomar seu espaço.


O Cirque du Soleil e a banda Metallica já incorporaram os drones a seus trabalhos, indicando novas possibilidades criativas dos dispositivos.


Em Cingapura, na virada do ano, uma exibição massiva de fogos de artifício foi precedida por por sensacionais manobras teatrais de 500 drones, movimentados por um sistema de GPS ao som de uma música delicada.


A contagem regressiva do ano novo na cidade foi comandada em tempo real pela imagem de um relógio formado por drones. Veja no vídeo.



A exibição de 2 mil drones em Xangai para marcar a passagem do ano também impressionou o mundo, mas teve algo de fake news.


O show não aconteceu no dia 31 de dezembro nem em 1 de janeiro, mas foi gravado com antecedência, no dia 28.


Quem estava na rua em Xangai na virada do ano não viu nada. Quem estava na frente da televisão no mundo inteiro viu. O show dos drones foi distribuído pelas mídias oficiais da China, como relatou a BBC.



Se Cingapura e Xangai tiveram shows sensacionais, Bruges, na Bélgica, optou pela modéstia na apresentação de seus cem drones. O objetivo principal era não angustiar bebês, pets e animais das fazendas com o barulhão dos fogos de artifício.


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