• Sandra Carvalho

Os salgueiros florescem de novo em Yellowstone

O que aconteceu? Bastou reintroduzir os lobos no parque...


Bisões selvagens comem salgueiros no Parque Nacional de Yellowstone | Foto: Luke Painter/OSU

O Parque Nacional de Yellowstone, no Oeste americano, é conhecido pelas fontes de água quente e pela vida selvagem exuberante, com muitos bisões, alces, ursos, coiotes e lobos. Só de pássaros, são aproximadamente 300 espécies.


Os lobos são uma figura central do seu ecossistema, bem mais importante do que parece à primeira vista. Eles desapareceram do parque nos anos 20 e 30, dizimados pelos programas de controle de predadores do governo dos Estados Unidos.


As consequências mais gritantes foram a explosão da população de alces (Cervus canadensis) em Yellowstone e a decadência de árvores como os salgueiros (Salix spp), base de sua dieta. Até os pássaros sofreram com a diminuição das árvores.


Os salgueiros, comuns nas margens de rios e córregos e nas várzeas das Montanhas Rochosas, costumam ser uma barreira à erosão do solo, e produzem sombra necessária aos peixes. Definhando, fizeram falta ao parque.


Nos anos 90, os lobos foram reintroduzidos no parque, numa tentativa de restaurar o ecossistema, em meio a grande controvérsia.


De vez em quando, os lobos invadem as fazendas próximas ao parque e atacam o gado - o que cria uma resistência à sua presença em Yellowstone.


Os fazendeiros podem ser indenizados pelo governo pelas perdas, mas precisam provar que seus animais foram mortos por lobos, e não por coiotes, por exemplo. O processo é complicado.


Salgueiros altos: recuperação mesmo com clima mais quente e seco | Foto: Luke Painter/OSU

Para o parque, os lobos têm feito bem. Um estudo da Universidade Estadual do Oregon (OSU) acaba de mostrar que os salgueiros voltaram a florescer no norte de Yellowstone, graças à predação dos alces pelos lobos.


Os salgueiros aumentaram em altura e cobertura à medida que a população de alces diminuiu e a pressão da pastagem excessiva abrandou. Os alces chegavam a 20 mil em 1995, mas apenas 4.149 foram contados em dois dias em março de 2019, segundo o estudo.


A mudança foi óbvia perto dos riachos, onde os pesquisadores encontraram muitos arvoredos de salgueiro com 200 centímetros de altura. O estudo foi publicado no jornal Ecosphere.


"Os lobos não fizeram tudo sozinhos", comentou Luke Painter, professor de Ecologia da OSU e autor principal do estudo. "Outros predadores e caçadores também afetaram os alces, mas isso não teria acontecido sem os lobos."


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