• Sandra Carvalho

Os smartphones revelam uma uma pandemia global de falta de atividade física

Em países em situação crítica, as pessoas dão apenas 3.500 passos por dia em média.


Andando em Nova York: calçadas decentes com as da cidade ajudam | Foto: Tobias Zils/Unsplash

Olhando dados de centenas de milhares de smartphones, cientistas da Universidade de Stanford montaram o mapa global de uma pandemia da inatividade física.


É um mapa que assusta, quando se pensa que essa pandemia está associada a 5,3 milhões de mortes por ano no mundo.


Os países em azul estão em melhor situação, com seus habitantes dando uma média de 6.000 passos por dia. Os países na pior estão em vermelho, com a média de 3.500 passos.


O Brasil, como sempre, está em posição intermediária - nem lá, nem cá. A média global é de 5.000 passos.


Mapa das caminhadas no mundo | Mapa: Projeto de Desigualdade de Atividade de Stanford

Os dados são do Projeto de Desigualdade de Atividade da Universidade de Stanford, um estudo massivo de 68 milhões de dias de atividades físicas de 717,5 mil pessoas de 111 países.


Os dados foram coletados de smartphones das pessoas avaliadas com o app Azumio Argus. A pesquisa usou as informações captadas pelos acelerômetros e os dados demográficos de saúde sem a identificação individual de ninguém.


O estudo foi publicado ontem na revista Nature.


Segundo os cientistas, a desigualdade na atividade física de um país permite prever melhor a obesidade em sua população do que a média da atividade.


De acordo com os cientistas de Stanford, os indivíduos dos cinco países com a maior desigualdade de atividade física têm mais 196% de risco de ficar obesos que os indivíduos dos cinco países com menor desigualdade.


Esses cinco países são Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Egito e Estados Unidos. Na outra ponta, dos países em situação mais favorável, estão Hong Kong, China, Suécia, Coreia do Sul e República Tcheca.


Benditas calçadas


Uma coisa que ajuda a mitigar o sedentarismo, de acordo com o estudo, são boas condições para caminhar. Isso envolve calçadas bem cuidadas, regulares, proteção de pedestres, cruzamentos seguros.


É o conceito de walkability, que as cidades brasileiras ainda valorizam muito pouco.


"Se você precisa cruzar grandes vias expressas para ir do ponto A ao ponto B numa cidade, a walkability é baixa, e as pessoas andam de carro", comentou o bioengenheiro Scott Delp, um dos dois líderes do estudo, em comunicado de um dos financiadores do projeto.

"Em cidades como Nova York e San Francisco, onde você pode ir de um lado a outro da cidade em segurança, há uma walkability de alto nível", afirmou.


Quem acaba sofrendo mais as consequências da desigualdade de atividade são as mulheres.


"Quando a desigualdade de atividade é muito grande, as atividades das mulheres são reduzidas muito mais dramaticamente que a dos homens", disse Jure Leskovec, cientista da computação de Stanford, o outro líder da pesquisa, num comunicado da universidade. "As conexões negativas da obesidade afetam muito mais as mulheres."


#AtividadeFísica #NovaYork #SanFrancisco #Stanford #Sedentarismo #Walkability