• Sandra Carvalho

Ovo fake com GPS ajuda a salvar tartarugas

Impresso em 3D, o InvestEggator revela pistas do comércio ilegal de animais.


O ovo fake por dentro: GPS no lugar de embrião | Foto: Helen Pheasy/Universidade de Kent

Inspirada nas séries de TV Breaking Bad e The Wire, a cientista americana Kim Williams-Guillen criou um ovo fake com tecnologia sob medida para descobrir traficantes de ovos de tartarugas marinhas ameaçadas no litoral da Costa Rica.


Impresso em 3D, o InvestEggator tem GPS no lugar de embriões para mostrar a trilha do comércio ilegal das tartarugas. Todas as 7 espécies de tartarugas marinhas estão ameaçadas atualmente, algumas delas criticamente.


O projeto é da organização conservacionista Paso Pacifico, com escritórios na Califórnia, Nicarágua e El Salvador, voltada para proteção de ecossistemas da região que vai do sul do México à Costa Rica, a Mesoamérica.


Kim teve a ideia do ovo fake olhando um episódio de The Wire, quando dois policiais usam uma bola de tênis para disfarçar um gravador e capturar as conversas de um traficante de drogas.


Em Breaking Bad, ela viu dois agentes da DEA, o departamento antidrogas dos Estados Unidos, colocarem um GPS num tanque de produtos químicos para descobrir para onde ele ia. "Ponha essas duas ideias junto e você tem o InvestEGGator", observou Kim num comunicado da Cell Press.


As tartarugas ameaçadas: a maior parte comércio ilegal é na própria região | Foto: Paso Pacifico

Os ovos-iscas foram distribuídos em 101 ninhos de tartarugas em quatro praias da Costa Rica. Um quarto deles foi tirado ilegalmente dos ninhos, junto com os ovos de verdade. O que foi mais longe viajou 137 quilômetros durante dois dias.


A investigação mostrou que os ovos das tartarugas ameaçadas são vendidos para consumo na própria Costa Rica, onde são considerados uma iguaria. Algumas pessoas também acreditam que seja um afrodisíaco. A maioria dos ovos fica, inclusive, na região onde são colhidos.


O experimento foi publicado no jornal científico Current Biology.


"Saber que uma grande proporção dos ovos fica na área ajuda a focar os esforços de conservação", notou a bióloga conservacionista Helen Pheasey, da Universidade de Kent, na Inglaterra, principal autora do estudo, num comunicado da universidade.


"Agora podemos enfatizar a conscientização das comunidades locais e dirigir a ação da polícia para o lugar certo", completou.


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