• Sandra Carvalho

Pandas: a fofura como arma de sobrevivência

Pandas não chegam a 1900 nas florestas, mas conquistaram fãs e aliados no mundo inteiro.


Panda comendo na Reserva Natural de Foping: herbívoro num corpo de carnívoro | Foto: cc Fuwen Wei

Os pandas gigantes, Ailuropoda melanoleuca, vivem em pequenas florestas de bambu no sudoeste da China. Sua vida não é fácil: eles comem uma dieta estranha e reproduzem pouco. Mas, adoráveis, passaram a ser bem protegidos. Viraram um cartão postal dos chineses.


Hoje, há 1864 pandas nas reservas chinesas, segundo o último censo oficial. Pouco? Eles não passavam de mil até o fim dos anos 70, quando as florestas de bambu estavam sendo dizimadas.


Atualmente, são considerados animais vulneráveis pela Lista Vermelha. Até 2016, estavam ameaçados de extinção.


Além dos pandas que vivem livres nas reservas chinesas, há pandas emprestados a 26 zoológicos em 18 outros países.


Mesmo que nasçam lá, são considerados propriedade chinesa. A China cobra pelo empréstimo dos animais perto de 700 mil dólares por ano, e usa essa verba para conservação dos animais.


O investimento da China na proteção dos pandas é gigantesco. Para salvar os animais da extinção, o desmatamento das florestas de bambu foi estancado. Mais: entre 1990 e 2010 foram criadas 67 reservas para os pandas, somando 33.000 km2. Seu habitat dobrou.


O fato de os pandas gigantes comerem só bambu é quase um paradoxo. O panda é um urso e tem o corpo de um carnívoro, com genes para comer carne.


Ele não tem DNA para fazer a digestão completa do bambu, como mostrou a equipe de cientistas chineses que sequenciou seu genoma pela primeira vez, em 2009.


Hoje, o panda tem traços comuns com herbívoros, como a musculatura do maxilar e dentes adaptados para dietas cheias de fibras. Mas seu intestino e seu sistema digestivo mudaram muito pouco, e continuam otimizados para carne.


Se comer tem seus problemas, reproduzir também é complicado para os pandas. Eles vivem entre 14 e 20 anos na natureza ( só chegam a 30 em cativeiro). Têm um filhote a cada dois anos em média, a partir de aproximadamente seis anos.


São números modestos, e se o habitat dos pandas se fragmenta ou decai, ficam mais modestos ainda.


Os pandinhas nascem minúsculos - tão minúsculos que isso intriga os cientistas há décadas. Os filhotes de panda nascem com 100 gramas, rosados, cegos e totalmente dependentes da mãe, que pesa 900 vezes mais.


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